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 EDITORIAL (ARQUIVO)

E Angola?

Ninguém é detentor da verdade absoluta, chame-se ele José Eduardo dos Santos ou Jonas Malheiro Savimbi.
Aos jornalistas cabe informar o que pensam ser a verdade, mesmo que isso desagrade (e desagrada muitas vezes) aos detentores do Poder.

Relatar o que aconteceu e o que a seguir se passou no Caxito (por exemplo) - apenas com os dados do Governo da Luanda é, para além de eticamente incorrecto, violentar a verdade que, talvez, não esteja nem na «verdade» do Governo nem na «verdade» da UNITA.
De qualquer modo (do mal o menos), era bom que a Imprensa portuguesa desse as duas versões, desde logo como elementar regra deontológica e ética.
A credibilidade de um projecto jornalístico está, antes do mais, em não confundir a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras. Confusão bastante é já a protagonizada pelo Governo português que continua a mandar a equidistância do conflito para as latrinas de interesses nem sempre claros.
Se não houver credibilidade, deixa de ser um projecto jornalístico para passar a projecto de propaganda.
Convenhamos, por isso, que jornalismo e propaganda são coisas diferentes (muito diferentes), se bem que seja cada vez mais difícil saber onde acaba um e começa a outra.

A paz que Angola merece não será, no meu entender, conseguida quando se diz que um é bom (o MPLA/Governo) e o outro mau (UNITA/Jonas Savimbi).
Até porque (quase) todos sabemos que são os dois maus. A diferença está em que os Jornalistas dizem-no.

27.Mai.2001


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