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Por favor, questionem tudo o que aqui possam ler... |
(In)segurança Portugal, mais uma vez a reboque, resolveu implementar supostamente grandes medidas de segurança, bem visíveis, aliás, pelo cada vez menor número de pessoas que utilizam os nossos aeroportos. A psicose dos atentados nos EUA e o medo (justificável, diga-se) de que os amigos de Osama bin Laden possam fazer (e certamente farão) mais alguns estragos, levou a um tão grande aparato de segurança que, bem vistas as coisas, apenas tapa o sol... com uma peneira. Há uns dias fiz a viagem Porto/Lisboa/Faro e Faro/Lisboa/Porto. Por todo o lado, eram quase tantos os polícias fardados (e bem armados) como os passageiros. Senti-me mais seguro? Não. À força bruta do aparato policial não correspondia um qualitativo e proporcional aumento da segurança. Para entrar em algumas zonas dos aeroportos é preciso mostrar o Bilhete de Identidade e o bilhete de avião. Mas entra-se sem que a bagagem seja revistada. Portanto, é possível levar o que se quiser (uma bomba, por exemplo) e colocá-la em qualquer sítio dessa zona restrita a passageiros, e voltar a sair. Para entrar para as zonas de embarque as bagagens são passadas (mais ou menos, como a seguir se verá) a pente fino. O passageiro também é revistado, não vá levar alguma metralhadora escondida no bolso das calças... O passageiro coloca nos tabuleiros que existem junto ao controlo, as chaves de casa, as canetas, o isqueiro etc. para que o detector de metais não comece a dizer das suas. Esses objectos não sofrem qualquer revista. Depois de entrar, o passageiro pega neles e vai à vida. Serão que são mesmo chaves? Será que são mesmo canetas? Será? Mais. O passageiro pode colocar nesses mesmos tabuleiros o envolope com os bilhetes. Envelope que também não é analisado. Será impossível ocultar no envolepe um qualquer explosivo, uma lâmina, ou qualquer outro objecto que os letreiros espalhados pelos aeroportos consideram proibidos? Claro que não. Nessa viagem, levei um desodorizante numa embalagem metálica que era inflamável. Chegou a Faro sem qualquer problema mas, no regresso, não passou. Ficou (e bem) na capital algarvia. Pergunta-se: Serão diferentes as máquinas que controlam as bagagens? Serão as leis diferentes no Porto, em Lisboa e em Faro? Em conclusão. Se a segurança se mede pelo número de polícias fardados e bem armados que andam pelos aeroportos, então estamos bem seguros. Se se mede pela eficiência e qualidade do controlo, então podemos estar descansados: quando quiserem, os terroristas não terão dificuldades (pelo menos em Portugal) em desviar aviões e fazer explodir aeroportos. 15.Out.2001 |
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