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A ditadura do MPLA O secretário para as relações exteriores do MPLA, Paulo Teixeira Jorge, reafirmou as criticas ao Governo português, defendendo que não deveria permitir que "portugueses de ocasião" interfiram nos assuntos internos de Angola. Paulo Teixeira Jorge terá já ouvido falar de democracia. Não sabe o que é e, por isso, julga-se no direito de dar palpites sobre um Estado de Direito, algo que não se pode dizer a propósito da actual Angola, em cujos quintais proliferam acéfalos do tipo do secretário do MPLA. "Existe o princípio universal da não ingerência nos assuntos internos (de outro Estado) e eu creio que Portugal, através dos órgãos competentes, poderia recomendar a esses ditos portugueses (elementos afectos à UNITA que vivem em Portugal) para não se meterem nos assuntos internos (de Angola)", afirmou, referindo-se ao facto do relatório do mecanismo de fiscalização das sanções contra a UNITA apresentar Portugal como a principal base de apoio do movimento de Jonas Savimbi na Europa. Portugal, convirá que Paulo Teixeira Jorge o entenda de uma vez por todas, é uma nação livre. Coisa que não existe em Angola. Lá, por ordem dos amigos deste secretário do MPLA, nem existe nação nem liberdade. Por isso, conviria que se preocupasse antes em dar palpites para o Futungo de Belas... enquanto tem tempo. De qualquer modo, quando lhe faltar o tempo, poderá sempre vir também para Portugal. Não será difícil dar-lhe o estatuto de «português de ocasião». "... Eles são portugueses de ocasião, fundamentalmente são angolanos que se tornaram portugueses depois da evolução da situação em Angola", afirmou Paulo Teixeira Jorge, para quem o Governo português também deveria "chamar a atenção" dos elementos da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) que se encontram em Portugal. Não há dúvida de que o homem pensa que Portugal se assemelha a Luanda. Este é um daqueles autómatos que critica mas que nunca bate palmas. E não bate palmas porque se o fizesse caía da árvore. Esta foi a segunda vez que Paulo Teixeira Jorge se referiu a este problema, depois de ter defendido, a 18 de Outubro, que Angola deveria "rever as relações bilaterais" com Portugal na sequência das conclusões do relatório do mecanismo de fiscalização das sanções contra a UNITA. Neste segundo comentário, Paulo Teixeira Jorge mantém as críticas ao Governo português, mesmo depois de José Eduardo dos Santos, que também é presidente do MPLA, ter desvalorizado o problema. É que, ao contrário do seu presidente, Paulo Teixeira Jorge ainda não sabe viver fora das árvores. Nas declarações que prestou à Rádio Nacional de Angola, Paulo Teixeira Jorge também criticou as posições que a Igreja Católica tem vindo a tomar no âmbito do processo de paz, considerando que "num Estado laico, a Igreja não pode permitir-se interferir nos assuntos do Governo". Aí está. Ninguém pode interferir com a lei da selva imposta pelo MPLA. Portugal interfere com Angola, a Igreja interfere com o Governo. Paulo Teixeira Jorge interfere com a nossa paciência. Referindo-se ao facto do presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST), D. Zacarias Camuenho, defender a necessidade de um cessar-fogo bilateral para acabar com a guerra, Paulo Teixeira Jorge afirmou que "tais pronunciamentos não devem ser feitos". "Ele (D. Zacarias Camuenho) deve preocupar-se com os problemas da Igreja, que não são poucos, o resto não é da sua competência porque nós estamos num Estado laico", afirmou. Mais palavras para quê? É por estas e por outras, é por este e por outros, que os angolanos continuam a vegetar, enquanto os dirigentes (onde, obviamente, se inclui Paulo Teixeira Jorge) vivem à grande. Até um dia. 02.Nov.01 |
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