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Por favor, questionem tudo o que aqui possam ler... |
Quem dá uma ajuda a este Portugal? Portugal não só tem o salário médio líquido mais baixo da União Europeia como é o país mais desigual, em que os salários altos ficam 24 por cento abaixo dos salários altos europeus e os mínimos são em média 54 por cento inferiores. O diferencial médio face ao poder de compra dos salários europeus é máximo para os salários mais baixos e mínimo para os mais altos, ficando neste último caso acima da média da Suécia, Grécia e Bélgica, considerados os salários líquidos. Os países mais igualitários, que estão no campo dos ricos, são Suécia, Bélgica, Dinamarca e Alemanha. A principal causa do baixo nível de vida é a produtividade, que qualquer que seja o indicador escolhido é em Portugal a mais baixa da União Europeia, considerando que as deficiências da produtividade vêm do funcionamento das instituições públicas e das empresas, do funcionamento dos mercados, da legislação laboral e da corrupção. Uma ponte ou um edifício em Portugal custa três vezes mais do que noutros países europeus, o que significa que com o mesmo dinheiro se faz três vezes menos em Portugal. Se Portugal crescer quatro pontos acima da UE, em 10 anos atingirá a média europeia. O país mais produtivo da Europa, o Luxemburgo, tem um quarto da população composto por emigrantes portugueses, o que permite afirmar que as causas da baixa produtividade não estão nos portugueses, mas no sistema. Os problemas que causam a baixa produtividade são tão básicos que acções como diminuir o congestionamento de tráfego nas zonas de Lisboa e Porto ou reduzir a burocracia do Estado permitiriam aumentos significativos de produtividade. Portugal "conta com um tio rico em Bruxelas" que "todos os anos lhe passa um cheque de 2,5 por cento do PIB". A alteração deste cenário está nas mãos dos portugueses. Em 17 de Março, quando forem chamados a votar, os portugueses podem (falta saber se os têm no sítio) alterar radicalmente uma realidade que, cada vez mais, nos atira para o fundo. Os socialistas não compreendem que estamos todos os dias em cima de um tapete rolante que anda para trás. António Guterres limitava-se a andar em cima do tapete. Ficava com a sensação de que estava a progredir mas, afinal, estava sempre no mesmo sítio. Brilhantemente, Ferro Rodrigues quer pôr-nos a andar no sentido do tapete para (quem sabe?) nos aproximarmos do núcleo duro do PCP ou... de África. «A execução do Orçamento do Estado português terá de ser cuidadosamente acompanhada este ano, para evitar qualquer derrapagem das contas públicas, defende o comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários», Pedro Solbes. A Comissão Europeia aprovou, aliás, a apresentação de um "alerta prévio" a Portugal e à Alemanha, devido ao aumento do défice orçamental verificado nos dois países, no ano passado, acima da barreira dos 2 por cento do Produto Interno Bruto ). - Mas quem é Pedro Solbes comparado com Guilherme d'Oliveira Martins, perguntam os socialistas. Falta, pois, saber se o PSD percebeu para que lado rola o tapete e se está disposto a correr para que, finalmente, ganhemos algum terreno. Não me parece que Durão Barroso tenha percebido. A falta de uma aliança pré-eleitoral com o CDS/PP não é um bom sintoma. Fica, para já, a esperança que tal seja possível a 18 de Março. Ou será que ninguém está disposto a dar uma ajuda a este (é o único que temos) Portugal? 01.Fev.02 |
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