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 EDITORIAL (ARQUIVO)

Assim não vale!

O Governo de Luanda (que não de Angola, e muito menos de Cabinda) contratou especialistas brasileiros (estão, de facto, na moda) em propaganda.

No que a Portugal respeita, uma das últimas habilidades «made in» Brasil respeita à morte de um concidadão na região de Benguela, vítima de um ataque das FALA.

Na guerra, infelizmente (ou talvez não), as balas não têm olhos. E mesmo que tivessem, os portugueses que vivem em Angola são potenciais alvos. Alvos para os soldados da UNITA como para os do MPLA. Havendo muito mais portugueses do lado da ditadura de Luanda, é natural que desse lado surjam mais vítimas.

Aliás, quando Almeida Santos defendeu o uso da guerra para acabar com a guerra em Angola, nada mais fez, é bom reconhecê-lo, do que apontar as armas dos opositores à ditadura de José Eduardo dos Santos aos portugueses que se encontram no cenário do conflito.

Os amigos dos nossos adversários... nossos adversários são, terão pensado certamente os soldados das FALA. Não me admiro, por isso, que os portugueses (neste caso) sejam alvos preferenciais. Também o foram quando, por estarem do lado da UNITA, eram alvejados pelas FAPLA.

Aonde se nota a mão criminosa dos especialistas brasileiros é nos requintes antropófagos com que instruem os soldados da ditadura de Luanda. Para efeitos mediáticos, bem à maneira das mais cruéis ditaduras, todos os cidadãos estrangeiros mortos pela UNITA (como aconteceu com este português) vão aparecer mutilados. A propaganda não olha a meios para justificar os dólares.

E há sempre quem vá na cantiga. É algo que vende. É algo que sobe audiências.

Pena é que, mais uma vez, os portugueses (começando pelo Governo e terminando em alguns jornalistas) não consigam perceber o que é propaganda e o que é a verdade.

É elementar saber a quem beneficia o crime. E sobre o beneficiário deste não tenhamos dúvidas.

13.Jun.2001


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