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Dinheiro a mais e ideias a menos Portugal tem que melhorar a sua imagem no exterior e o poder público tem que repensar a sua estratégia de apoio à internacionalização das empresas portuguesas. Esta é a opinião dos administradores de vários grupos nacionais e apresentadas num encontro do Fundo para a Internacionalização das Empresas Portuguesas (FIEP). Cá para mim, por experiência própria, Portugal tem sobretudo de apostar em quem tem ideias. E não é isso que acontece. Ter ideias (por muito boas que sejam) só funciona quando se tem, também, muito dinheiro. Os nosso empresários, bem como as associações que os representam, analisam as ideias não a partir do seu real valor mas, antes, a partir do nome de quem as apresenta ou, ainda, da conta bancária dos seus proponentes. Alexandre Relvas, administrador da Logoplaste, que fabrica embalagens plásticas para várias empresas portuguesas e estrangeiras, afirmou que "chegou a ter problemas com fornecedores, clientes e até colaboradores porque a imagem de Portugal no estrangeiro não é credível". É verdade. Mas é igualmente verdade que, internamente, a nossa imagem não é grande coisa. E não é porque, afinal, (quase) todos dizem quando alguém lhes apresenta uma ideia, um projecto: «Diz-me quem és, dir-te-ei se a tua ideia é válida». Acresce algo de relevante. Quantas vezes a ideia, o projecto, é considerada inválida em função do nome dos proponentes mas, tempos depois, aparece no mercado como tendo sido gerada pela entidade a quem foi apresentada pelos «zés-ninguém». Para António Lobo Xavier, jurista da Sonae, o problema mais grave prende-se com a burocratização excessiva do poder público que "cria entraves" à captação de capital estrangeiro e "está mais preocupado com a manutenção da sua receita fiscal do que em agilizar o processo" de internacionalização das empresas. Segundo o jurisconsulto, "nas minhas investigações apenas encontrei um país cujas receitas provenientes da tributação das empresas fosse mais elevada do que Portugal: o Japão". "Mais do que a equidade fiscal, o Governo deveria ter estado preocupado em promover medidas fiscais para incentivar o investimento e aumentar a competitividade das empresas, como os seus parceiros europeus", acrescentou. Também é verdade. Mas não basta culpar o Governo. É certo que os governos (quase todos) põe o primado da competência em segundo plano e, por isso, relegam as empresas para canto. Isso é grave. Mas o que se deve dizer das empresas e das suas associações representativas quando, ao contrário do que apregoam, atiram para fora de jogo projectos viáveis, tão viáveis que depois lhes chamam seus? Miguel Athayde Marques, administrador da Caixa Geral de Depósitos, sublinhou que Portugal tem que identificar de forma clara quais são os factores diferenciadores do País face, por exemplo à Espanha, e mostrou-se preocupado com a fuga de cérebros para o estrangeiro, factor que poderá "marginalizar irremediavelmente o país". Ora aí está. Que comentário fará a esta afirmação de Athayde Marques a Associação Empresarial de Portugal, por exemplo? 15.Fev.02 |
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