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Por favor, questionem tudo o que aqui possam ler... |
Do desastre do PS à esperança no PSD/PP A fazer fé em Francisco Louçã, «a direita mais estúpida do Mundo» mandou para a Oposição a que é, provavelmente, a esquerda mais inteligente do Mundo. Mas se esta esquerda é a mais inteligente... estamos conversados. Certo é que a esquerda liderada pelo PS fartou-se de meter água e de dar tiros nos próprios pés ou, parece-me, até em sítios bem acima dos pés. Do ponto de vista económico, os socialistas foram gastando por conta. Qualquer análise minimamente isenta revelaria que os socialistas gastaram mais (e muito mal) do que o que tinham, endividaram o país e passaram a factura para quem quer (assim se espera) pôr ordem na casa. Recorrendo a empréstimos e a mais empréstimos, os socialistas mostraram como não se deve governar. Fosse hoje e, creio, Portugal não teria entrado no euro, tal o distanciamento a que ficou dos principais critérios da União Europeia. Guterres e a sua equipa (onde Ferro Rodrigues foi figura de destaque) mostrou que, afinal, para estes socialistas a obra prima do Mestre e a prima do mestre de obras são a mesma coisa. As reformas ficaram por fazer, o primado da competência foi engavetado e os empregos foram dados a supostos amigos. O PS esqueceu-se que é preferível ter um adversário inteligente a um amigo estúpido. Por isso encheu a máquina do Estado (onde se incluem muitas empresas) com amigos que para contarem até 12 tinham de se descalçar. O resultado (apesar de lisonjeiro) está à vista. Os socialistas preferiram as suas sombras (estavam sempre de acordo) em detrimento de quem, socialista ou não, dizia que o Governo não tinha apanhado a estrada de Beira e se limitava a estar na beira da estrada. Aí está o resultado. Mais uma vez (como, por exemplo, aqui foi dito por diversas vezes), a crise bate à porta e os socialistas piram-se. Passam a pasta... cheia de facturas por pagar. Quando António Guterres chegou à liderança, muitos portugueses pensaram que ele era um socialista diferente. Deram-lhe tudo. Resultado? Deram tudo para, alguns anos depois, ficarem sem nada. Se calhar, Guterres até era diferente. Não teve foi a capacidade para entender que os amigos (os verdadeiros) também discordam, também contestam, também criticam. Guterres aceitou à sua volta muitos dos que estavam sempre de acordo. Por isso perdeu em toda a linha. E onde estão, hoje, esses guterristas? A maioria já se passou para outro lado qualquer que os situe mais perto do poder. A maioria já transformou o bestial Guterres numa besta. Curioso é, ainda, ver como os socialistas (e alguns sociais-democratas) continuam a julgar que são uma solução para o problema quando, de facto, são um problema para a solução. E o PSD/PP? Durão Barroso e Paulo Portas têm muito que lhe dar. É difícil fazer pior do que o PS. Mas isso não chega. O PS deixou o país à beira da falência. Mas isso não pode servir de desculpa. A recessão pode estar aí ao dobrar da esquina. As finanças públicas estão em ruptura. As reformas (saúde e justiça, por exemplo) não se fizeram. A máquina do Estado está toda cheia de (maus) socialistas. A tarefa é complicada. Mas como o possível se faz sem grande esforço, o país precisa de quem sue as estopinhas para dar novo alento a Portugal. Durão Barroso prometeu que Portugal irá crescer e que a produtividade irá aumentar. O líder do Governo tem bons termos de comparação. O mais próximo protagonizado pelos socialistas, o mais remoto liderado por Cavaco Silva. Vamos ter a redução do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) como forma de atrair investimento estrangeiro? Os sectores de energia e dos transportes vão ser liberalizados? Os portugueses vão ter melhores qualificações com uma reforma do sistema educativo? Haverá reformas na saúde? As finanças públicas vão ser eficazmente controladas? E a despesa pública? E o número de funcionários? Creio que Durão Barroso e Paulo Portas são capazes de levar a carta a Garcia e mostrar que afinal os portugueses não são tão estúpidos como os retrata Francisco Louçã quando se vê ao espelho. Penso que para lá chegar, ao contrário do que defende Cavaco Silva, não devem contar com os socialistas. Se estes passaram os últimos tempos a dar tiros uns nos outros, o que não farão se o alvo for o PSD e o PP? Querer que o PS contribua para a estabilidade do país é pensar que eles são bons pintores só porque conhecem as cores do arco-íris. É certo que, depois de tantos anos no Governo, o PS deveria ser chamado a dar uma mãozinha. Mas se eles nem aos seus dão a mão... 21.03.02 |
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