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 EDITORIAL (ARQUIVO)

África do Sul

Os portugueses (e não só eles, é claro) continuam a morrer na África do Sul. Continuam a ser cobardemente assassinados.

A África do Sul parece decidida, apesar de ter o bilhete na mão, em perder o comboio do progresso. As autoridades sul-africanas teimam em confundir a beira da estrada com a estrada da Beira e, por isso, em vez de tentarem levar a carta a Garcia (e os portugueses seriam vitais nessa tarefa) deitam-na na primeira valeta que encontram.

Correm o risco de, como a grande maioria dos seus vizinhos, escrever mais algumas trágicas e sangrentas páginas da História de África. Correm o risco de entregar o ouro ao bandido, ou seja, perder a viagem para a democracia e embarcar no Titanic da guerra civil.

Convenhamos, contudo, que este é também um drama real que se escreve, vive e sente em português.

Convenhamos, igualmente, que a (União) Europa e os EUA estão mais preocupados com o Médio Oriente, com a Macedónia ou com o senhor Milosevic do que com África.

Enquanto África tiver petróleo, diamantes etc. bem podem matar-se uns aos outros... até porque essas riquezas são uma boa forma de pagamento das armas que tanto americanos como europeus não se cansam de para lá enviar.

E se morrem todos não haverá problemas... as riquezas continuarão lá.

Seja como for, Portugal tem de fazer alguma coisa... nem que seja reeditar, com algumas adaptações, a ponte aérea de 1975. Readaptações porque, creio, desta vez não teremos um primeiro-ministro a dizer que esses portugueses são um fardo difícil de transportar e que o melhor é metê-los todos no Campo Pequeno.

Provavelmente o nosso actual primeiro-ministro e o seu conjunto de ministros (Governo parece já não ser) estará a actuar no segredo dos deuses para dar uma mão na resolução do caso.

Ou será que está mais preocupado com a tese de quem se meter com o PS... leva? Ou será que os portugueses que estão na África do Sul são, como o foram os que fugiram de Angola, Cabinda, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste, cidadãos de segunda?

Ou será que vamos ouvir o primeiro-ministro de Portugal (este ou qualquer outro) dizer: «Agora que o animal estava a aprender a viver sem comer... morreu»?

27.Jun.2001


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