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As «fuças» do Governo É possível (embora eu não creia) que os portugueses tenham o conjunto de ministros (que não um Governo) que merecem. Seja qual for o caso, a verdade é que a nossa democracia, tal como grande parte do país, continua enferma. Ao contrário das empresas de sucesso, tanto o Governo como a Oposição apostam em inverter as regras e atiram para os subalternos a responsabilidade que é dos chefes. O país está derrapar? Mudam-se os ministros. O país continua a derrapar? Mudam-se os ministros. O país bateu no fundo? Mudam-se os ministros. Quando será que alguém (o Presidente da República, por exemplo) explica ao primeiro-ministro que a crise não se resolve substituindo ministros? A crise só tem algumas hipóteses de ser resolvida se se substituir o primeiro-ministro. Como primeiro-ministro, António Guterres não está a ser uma solução para o problema mas, isso sim, um problema para a solução. As sombras que acompanham António Guterres, tal como as que acompanharam os últimos anos de Cavaco Silva, estão sempre de acordo com o chefe... pelo menos enquanto ele o for. Nenhuma sombra lhe vai dizer que, afinal, conhecer as cores do arco-íris não faz de ninguém um pintor. E, também grave, é o facto de António Guterres escolher alguns bons ministros mas para ministérios errados. Se esta (re)modelação guterriana fosse seguida pelo presidente do Futebol Clube do Porto, lá teríamos o melhor marcador do último campeonato de futebol, o Pena, a jogar na equipa de basquetebol. Guilherme de Oliveira Martins nas Finanças? Braga de Cruz na Economia? Braga da Cruz deve ter pensado que mais vale ser ministro (mesmo que no pasta errada) por um dia, do que presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte toda vida. E isso é mau. Mau até para a enorme credibilidade de que gozava no país. A tese do polivalente ministro das Finanças é, com certeza, diferente. Provavelmente estará a pensar em entrar para o livro de recordes... tantas são as qualificações «secretariáveis» e «ministeriáveis». Assim, de paixão em paixão, de ministro em ministro, Guterres lá vai «cantando e rindo» enquanto, cada vez mais, o país chora. Lá vai prometendo ir às «fuças» da Direita, estribado na certeza de quem se meter com o PS... leva. No entanto, quando der por isso, verá que é país (e o próprio o PS) a ir-lhe às «fuças». 03.Jul.2001 |
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