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Economia, corrupção e similares Que a economia entrou em derrapagem e que, a todo o momento, pode bater no fundo, já todos sabemos, incluindo o primeiro-ministro. Segundo o Governo, a solução para resolver a crise é simples: mudam-se os ministros. Embora a lista de ministeriáveis socialistas, na área da Economia e das Finanças, deva também ela estar a bater no fundo, é possível que António Guterres ainda consiga mais alguns nomes para ajudar a afundar o barco. Como já aqui escrevi, é preciso mudar de Governo para que se mudem as políticas e não apenas, como agora acontece, os ministros. E para a economia voltar a funcionar é urgente dar oportunidade ao primado da competência e não, como o fez este Governo, ao da filiação partidária. A lógica guterrista, nomeadamente ao nível da fiscalidade, voltou a mostrar que uma «carrilhada» de boas intenções não é suficiente para acabar com a barbaridade de políticas que querem impor o seu primado ao da economia real. Se a isto se acrescentar, por exemplo, que Portugal aparece como o país da União Europeia onde existe mais corrupção, sendo apenas superado pelos países de Leste, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2001 das Nações Unidas, talvez se perceba o que se vai passando neste jardim à beira mar plantado. De acordo com os dados do relatório, que se reporta ao ano de 1999, Portugal regista uma percentagem de 1,4 de crimes relativos a suborno e corrupção, surgindo à frente da França (1,3), Áustria (0,7), Holanda (0,4), Dinamarca (0,3), Finlândia (0,2) e Suécia (0,1), entre outros. O documento não apresenta dados relativos à corrupção de alguns países, nomeadamente da Itália. A Georgia com 21,9%, a Lituânia com 11%, a Polónia com 5,1% e a Estónia com 3,8%, lideram o grupo de países europeus mais atingidos pela corrupção. Portugal está um pouco melhor na tabela geral da criminalidade, ao indicar que 15,5% da população foi vítima de crimes, cifra que o coloca abaixo da Áustria (18,8%), Bélgica (21,4%), Dinamarca (23%), Inglaterra e Gales (26,4%), Finlândia (19,1%), França (21,4%), Itália (24,6%) e Suécia (24,7%). O número de pessoas atingidas pelos crimes contra o património atinge em Portugal os 7,5%, percentagem que o coloca ligeiramente abaixo da Bélgica (7,7%), mas acima da Áustria (3,1%) e da Holanda (7,4%). Neste tipo de crime, a Itália surge com uma taxa elevada (12,7%), o mesmo sucedendo com Inglaterra e País de Gales (12,2%). Nos furtos, Portugal regista 1,1 (menos que a Itália, com 1,3 e Inglaterra, com 1,2) e, nos assaltos, 0,4%, uma das mais baixas da União Europeia e da Europa em geral. O nível de crimes sexuais é também baixo em Portugal, com 0,2, cifra que o deixa entre os menos preocupantes de uma lista de 20 países do Mundo desenvolvido. Elaborado anualmente por iniciativa do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o relatório compara as condições e a qualidade de vida das populações, com base num chamado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que tem em conta não apenas o rendimento por habitante (riqueza relativa de um país), mas também outros factores, como a esperança média de vida, a alfabetização e o bem-estar das pessoas. O país com melhor índice global é a Noruega (depois de ter sido o Canadá nos últimos seis anos) e a Serra Leoa é o último da lista, mantendo-se Portugal na 28ª posição. Que tal? 13.Jul.2001 |
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