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Maus ventos no Jornalismo português A crise, seja ela qual for, exista ou não, é sempre uma solução para os problemas que afectam a Comunicação Social e que, muitas vezes, resultam apenas de um simples factor - a incompetência. Porque o primado da competência não é fundamental, as empresas apostam tudo na procura de problemas para a solução, de modo a que as suas linhas de enchimento trabalhem apenas para os poucos que têm milhões e não, como seria de esperar, para os milhões que têm pouco. Assim sendo, a crise é um remédio que dá para tudo, que se utiliza quando dá jeito e que, infelizmente, serve quase sempre para manter no poleiro os «filhos», mesmo que estes para contar até 12 tenham de se descalçar. Este ano, a fazer fé nos políticos da nossa economia (não tanto nos economistas da nossa política), a Comunicação Social está em crise, sobretudo graças a um retraimento (duvidoso) do investimento publicitário. Solução? Contenção dos custos. É sempre assim. Não encontram (nem querem encontrar) a estrada da Beira e o mais simples é ficarem na beira da estrada. E como se faz a contenção? Reduzindo o número de trabalhadores. Quando será que alguém se preocupará em ultrapassar (se calhar até mesmo em evitar que ela chegue) a crise aumentando a produtividade dos trabalhadores e não despedindo-os? Quem manda não pensa nisso. É claro que não. São pagos para executar e não para pensar. Como são pagos para multiplicar cifrões, custe o que custar, escolhem a solução mais imediata - diminuir custos/despedir pessoal. Poderiam fazer melhor. Muito melhor. Ou seja, investir nas ideias e na capacidade, aumentando necessariamente a produtividade. Mas isso é complicado num país que só sabe fazer o possível e que anda a reboque dos que lideram graças ao facto de, muitas vezes, transformarem o impossível em possível. Segundo o Sindicato dos Jornalistas (SJ), há 170 profissionais que este ano já foram «mortos em combate». Não há números quanto aos desaparecidos nem dos que passaram para o lado do «inimigo». Alfredo Maia, presidente do SJ, diz que nem todos são associados da estrutura sindical e que "há jornalistas que renunciam ao direito de resistir e têm receio de integrar uma 'lista negra'". Se o presidente do Sindicato dos Jornalistas o diz é porque é verdade. Lista negra? Renunciar ao direito de resistir? Quem diria... Em democracia, num Estado de Direito, com um Governo socialista, com um presidente da República socialista os jornalistas renunciam ao direito de lutar e têm receio de integrar uma lista negra... 28.Nov.01 |
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