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AO CORRER DO TECLADO (VIII) O Comité de Protecção de Jornalistas (CPJ) considera que, em Moçambique, se vive uma "atmosfera de medo" nas redacções dos órgãos de comunicação social face ao assassínio, há nove meses, do jornalista Carlos Cardoso. Nas conclusões de uma visita de duas semanas ao país, o director adjunto da organização, Joel Simon, declarou que alguns profissionais moçambicanos testemunharam que "têm receio em cobrir temas sensíveis, particularmente aqueles que envolvem corrupção". "Embora não exista censura, os jornalistas relataram vários episódios de auto-censura. Muitos disseram-nos que alguns temas não devem ser pegados, particularmente os que envolvem questões de corrupção", disse o responsável do CPJ, organização com sede em Nova Iorque (EUA). Joel Simon afirmou que as queixas dos jornalistas moçambicanos desapontaram o CPJ e outros organismos que trabalham na área da liberdade de imprensa e que davam a Moçambique "a mais elevada credibilidade". "O país é conhecido por ter um ambiente em que quer os média independentes quer os apoiados pelo Estado competem em liberdade e sem interferência oficial", sublinhou o responsável do CPJ, apelando ao Governo moçambicano para que reafirme publicamente o respeito pela imprensa como forma de reduzir "o clima de medo e encorajar um ambiente sadio no seio dos media". Segundo o CPJ, todos os jornalistas contactados declararam que o assassínio de Carlos Cardoso, proprietário e director do jornal-fax "Metical", "criou um sério vazio no agressivo jornalismo de investigação" que se praticava no país, levando os outros seus colegas a "recearem" seguir o seu exemplo profissional. O CPJ refere a este propósito que "a melhor forma de combater a auto-censura é lutar para que a justiça seja feita no caso do assassínio de Carlos Cardoso", pelo que o comité pediu às autoridades moçambicanas que "continuem a fazer desta investigação uma prioridade, analisando todas as pistas e indícios, independentemente de quem possam atingir". Joel Simon manifestou ainda a preocupação do CPJ pelo "clima de medo" que paira em torno das investigações oficiais, afirmando a título de exemplo que uma das pessoas que tinham previsto entrevistar "declinou o encontro alegando ter recebido ameaças de morte" e que, várias outras "cancelaram os seus encontros à última hora". Integraram também a delegação CPJ que se deslocou a Moçambique o colunista do "Chicago Tribune", Clarence Page, o coordenador do programa África, Yves Sorokobi, o jornalista sul-africano, Philip Van Niekerk, e o moçambicano, Carlos Lima. Por várias razões, este é um assunto que também deveria dizer respeito aos jornalistas portugueses. Desde logo porque muito de nós já passámos (ou passamos?) por coisas similares e, ainda, porque em Portugal não aparecem jornalistas fisicamente mortos... mas que alguns vão sendo psicologicamente assassinados, lá isso vão. 31.Jul.2001 |
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