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Temos 8.600 jovens organizados em "gangs"

Portugal tem cerca de 8.600 jovens organizados em "gangs", os quais vivem essencialmente nas periferias e em «territórios» onde a polícia não entra. Estes bandos foram, em 2000, responsáveis por 2.757 casos notificados pelas autoridades. Só em Lisboa, existem 6.536 elementos que se organizam em "gangs" (76% do total nacional) e foi precisamente na capital que ocorreram, no ano passado, 2.116 actos praticados por estes grupos - 77%. Estes números são oficiais e foram compilados para um estudo intitulado "Da casa-rua à escola-casa: revolta e divertimento", de J. Barra da Costa, docente de Ciências Humanas numa instituição de ensino superior. A investigação de J. Barra da Costa teve como palco uma escola degradada de um concelho da margem Sul do Tejo e o objectivo do estudo foi identificar "a eventual influência que a degradação existente neste tipo de escolas exerce, em termos de agressividade e de para-deliquência, nos alunos, eles próprios provenientes, em grande maioria, de um ambiente social precário".
J. Barra da Costa apurou que, da amostra do estudo, composta por 40 alunos, 65% já se tinha envolvido em acções violentas ou agressivas no interior da escola e que 52% disse assim se manifestar devido à «revolta» que sente dentro de si em função da sua condição de inferioridade, na família e na sociedade.
De acordo com os dados apresentados a propósito deste estudo, 1.539 casos (56% dos 2.116) correspondem a actos praticados por bandos de elementos africanos.
As autoridades contactadas no âmbito da investigação assumiram a J. Barra da Costa que cada bando desceu, em média, de cinco para quatro elementos, o que "deixa entender uma maior disseminação e uma maior facilidade de constituição".
J. Barra da Costa não tem dúvidas de que se esteja "perante um barril de pólvora que pode consubstanciar-se numa enorme explosão". Os comportamentos destes "gangs", avança, "deixam perceber uma certa privatização da violência, com a consequente formação de correntes ligadas à justiça popular e o alargamento dos conflitos étnicos e raciais". A questão dos "gangs" está relacionada com "a formação dos grupos mais jovens de delinquentes e a agregação de fenómenos de agressividade gratuita". É possível, segundo J. Barra da Costa, "afirmar que na área da Grande Lisboa se verificou, de 1999 para 2000, um aumento de 650 casos relativos à designada delinquência juvenil: 21,5%.
"Apesar da recente promulgação de um novo pacote legislativo - que inclui a aprovação da Lei Tutelar Educativa (Lei nº 166/99) e da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (Lei nº 147/99), é um facto que essas disposições continuam a exibir uma grande dose de permissividade, face a uma agressividade nova (12-15 anos de idade), levada a cabo por jovens perfeitamente conscientes dos actos praticados", escreve J. Barra da Costa. Em 2000, o total de crimes praticados por menores em Portugal atingiu os 3.751 casos. Destes, sete por cento do total dos crimes foram de natureza patrimonial (furtos, roubos, assaltos de carros), 9% aconteceram em lojas e supermercados e 49% nas escolas ou perto delas".
De facto, analisando o número de acções de agressão, vandalismo e posse de armas verificadas nas escolas portuguesas nos anos lectivos de 1997/1998, 1998/1999 e 1999/2000, estas aumentaram significativamente. Entre 1997/1998 e 1999/2000, o número de agressões e ofensas corporais nas escolas portuguesas subiu 123%, os roubos 263,3%, vandalismo 274,2%, ameaça de bomba 46,1%, posse ou uso de arma 12,5%, ofensas corporais 1.300%, posse ou consumo de estupefacientes 266,7%, furtos 2,3% e ameaças ou injúrias 129,3%. Segundo J. Barra da Costa, "além do sentimento de medo que causa os habitantes, não se trata, contudo de um fenómeno episódico. É, pelo contrário, o tipo de criminalidade que mais alastra tanto nos bairros de Lisboa e do Porto, como nos concelhos limítrofes".

25.Mai.2001


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