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Educação, saúde e agricultura são prioridades em Timor-Leste

Educação, saúde e agricultura são para a população timorense as questões que devem merecer maior prioridade nos planos de desenvolvimento de Timor-Leste, de acordo com o relatório preliminar de uma consulta feita em todo o território.

Questionada sobre as linhas do desenvolvimento do futuro estado independente, até 2020, a população timorense identificou ainda a economia, as estradas e o combate à pobreza como outras prioridades de actuação.

Os resultados da sondagem foram formalmente entregues ao chefe do governo, Mari Alkatiri, pelo presidente da Comissão Consultiva da Sociedade Civil para o Desenvolvimento, Xanana Gusmão.

O relatório preliminar revela que 70% dos sondados destaca a educação como a maior prioridade, 49% aponta a saúde como outra das prioridades e 32,5% destacam a importância da agricultura.

"Queremos educação para que todos, incluindo os mais pobres, os deficientes, os idosos e as mulheres possam ser letrados e ajudar a construir o nosso país", lê-se no relatório preliminar.

"Em 2020 já teremos clínicas bem construídas e bem equipadas com pessoal em cada suco e aldeia, com boas parteiras, dando assistência a todos e, especialmente, às mulheres e crianças", defenderam alguns dos sondados.

Economia (30,5%), estradas (22,1%), combate à pobreza (18,19%) e serviços de água e electricidade (respectivamente 16,1% e 12,9%) são outras prioridades definidas.

Dos participantes, apenas um por cento dos consultados apontou a religião, a cultura, o turismo, os transportes, a juventude, os idosos e as mulheres como prioridade.

Entre finais de Janeiro e finais de Fevereiro, uma equipa da comissão visitou um total de 503 centros populacionais, falando com 17.759 homens e 12.228 mulheres.

Durante o processo de consulta, que abrangeu mais de 35 mil pessoas, participaram ainda jovens estudantes a quem foi pedido para escrever um postal ao futuro presidente de Timor- Leste em 2020.

Dos grupos de discussão saíram mais de 2.050 formulários com opiniões e sugestões sobre as metas, as prioridades e os métodos a aplicar para o primeiro programa de desenvolvimento, um documento que será preparado até à independência de Timor-Leste, em 20 de Maio próximo.

Falando na cerimónia de entrega dos relatórios, Xanana Gusmão destacou a natureza "histórica" do processo de consulta à população, que acabou por produzir um documento "notável" que traduz "a voz do povo de Timor-Leste" e que permitirá apoiar o governo a traçar as estratégias de desenvolvimento.

"As visões e as aspirações serão tomadas em conta nos programas do estado. Não queremos criar expectativas falsas mas sabemos que o governo incluirá estas sugestões nas suas estratégias", disse Xanana Gusmão.

Para Mari Alkatiri, a entrega do relatório é tão importante "pelo conteúdo (...) como pelo significado e dinâmica de participação que se pretende incutir na sociedade em Timor- Leste", realçando as dificuldades aliadas ao "calendário apertado" em que o processo foi conduzido.

"Tudo o que se tem feito é ouvir o povo, auscultar o povo. Quando se decidiu criar a Comissão Nacional do Plano desde logo se decidiu criar a vertente da sociedade civil", disse.

"Para certos processos dizem-nos que se são de dois anos, nós temos dois meses, e se são de dois meses, temos dois dias. Tem sido tudo contra o tempo", salientou.

Mari Alkatiri garantiu que o Governo "não se acomodará aos sofás" e que continuará a apostar na construção do Estado, "não só do espaço físico mas fundamentalmente do povo".

"A entrega dos resultados desta consulta mostra claramente a dinâmica que queremos criar neste país", salientou o ministro-chefe timorense, enaltecendo a contribuição dada por Xanana Gusmão para o processo.

Traçando objectivos para a governação, Mari Alkatiri disse poder garantir que "em 2020 não teremos analfabetos (...) e qualquer criança irá para a escola com pequeno-almoço, almoço e jantar".

O relatório destaca algumas das declarações dos participantes nos vários campos de desenvolvimento, com alguns a defenderem "formação, tecnologia moderna e boa irrigação" para conseguir melhorar a produção agrícola do país.

Uma aposta "numa economia forte e estável", num país com "um bom sistema de estradas e pontes", e onde "ninguém tenha que lutar para sobreviver", são outras das metas que a população defende.

"Toda a gente poderá beber água e ter saneamento" até 2020, altura em que "toda a gente terá acesso a electricidade a preços razoáveis, para que as crianças possam estudar com luz eléctrica e toda a gente possa ter acesso a informação através dos meios de comunicação electrónicos", lê-se ainda entre as opiniões veiculadas.

Para conseguir alcançar os objectivos que venham a ser definidos, o Governo timorense terá em mãos uma tarefa complexa, em particular dados os índices das actuais condições de vida no território.

Um recente estudo revelado pelo Governo refere que mais de 41% da população timorense vive na pobreza e cerca de 48% são iletrados.

Preparado pela Comissão de Planeamento Nacional, este relatório centra-se numa sondagem feita a mais de 9.100 timorenses que vivem numa centena de aldeias e pequenos centros populacionais em todos os 13 distritos de Timor-Leste.

O relatório revela que o índice de pobreza é mais elevado nas zonas rurais - onde atinge os 46% - do que nas zonas urbanas, onde afecta cerca de 26% dos habitantes.

O centro e o leste rurais de Timor-Leste são as regiões que registam os índices mais elevados de pobreza, cerca de 51% da população, com as duas maiores cidades, Díli e Baucau, a registarem os valores mais baixos, que rondam os 14%.

O estudo revela ainda que 46% dos adultos timorenses nunca frequentaram nenhuma escola, estimando-se que 49% da população sondada é iletrada e outros 37% lêem com dificuldade.

30.03.02


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