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Jornalistas presos na Guiné-Bissau O director e proprietário do "Diário de Bissau", João de Barros, bem como um redactor do jornal, Athizar Mendes, foram detidos. Porquê? Tudo leva a crer que tanto o presidente guineense, Kumba Ialá, como o primeiro-ministro, Faustino Imbali, ainda não entenderam (tal como tinha acontecido com Nino Vieira) que os Jornalistas podem andar na sombra mas não são, regra geral, a sombra de ninguém. Por isso, nem sempre estão de acordo com o Poder. Se Kumba Ialá e Faustino Imbali (tal como Nino Vieira) querem um país amordaçado estão, reconheça-se, no bom caminho... Tudo terá começado, segundo a Lusa, com um artigo publicado na semana passada no "Diário de Bissau", intitulado "Kumba Ialá e a corrupção", em que Athizar Mendes alegou existirem práticas ilegítimas no aparelho de Estado, envolvendo os nomes do presidente e de altos membros do Governo. Athizar Mendes acusou Kumba Ialá de ser o principal responsável pela prática de corrupção no país, devido às viagens que tem efectuado ultimamente a diversos países africanos, nas quais seriam gastas "somas exorbitantes". O articulista citou as recentes viagens de Kumba Ialá à Guiné-Conacri, Serra Leoa, Marrocos e Nigéria, em que o chefe de Estado teria gasto muito dinheiro "sem proveito para o país". João de Barros disse à rádio privada Bombolom FM, de Bissau, que foi chamado à sede da Presidência da República, "supostamente por ordens de Kumba Ialá", para prestar declarações sobre o artigo. Na entrevista à Bombolom FM, João de Barros fez uma retrospectiva da conversa mantida com Kumba Ialá e Faustino Imbali, na presença do Procurador Geral da República, Rui Sanhá, e de alguns ministros e chefias militares que também se encontravam na sala. João de Barros disse que teria sido obrigado a retratar-se e a explicar-se sobre a veracidade dos factos invocados por Athizar Mendes no "Diário de Bissau", que terá sido considerado pelas autoridades presentes como um órgão de informação "tchutchidur" ("boateiro", em crioulo da Guiné-Bissau). O director e proprietário do jornal disse ainda na entrevista à rádio Bombolom FM que foi alvo de alegadas ameaças de Kumba Ialá, depois de ter confirmado tudo o que vinha escrito na peça assinada por Athizar Mendes. "Confirmei, uma vez que é tudo um facto verídico. O presidente disse-me que, se quisesse, mandava-me prender e dava-me uma boa surra", afirmou João de Barros, acrescentando que respondeu a Kumba Ialá que ele não estava no direito de o fazer. "Até aceito que o presidente pode mandar bater-me pois tem a 'força' e os militares. Mas o presidente devia lembrar-se dos outros que também tiveram 'força' neste país e que agora não estão no poder", realçou. João de Barros citou os nomes do ex-presidente Luís Cabral, deposto por João Bernardo "Nino" Vieira em 1980, e de Ansumane Mané, que derrubou "Nino" em 1999, e acabaria por ser morto em Novembro passado em circunstâncias ainda por esclarecer. "Todos esses homens um dia tiveram poder e 'força' neste país. E hoje? O que é feito deles? Foi o que eu disse ao presidente Kumba Ialá", recordou João de Barros. Voltando ainda às alegações de corrupção no aparelho de Estado, João de Barros sublinhou ter dito ao presidente da República que cerca de 120 casas teriam sido compradas em Portugal nos últimos dois anos por altos dirigentes do país. O Jornalista afirmou ainda ter informado Kumba Ialá de que sabia que altos responsáveis guineenses teriam levantado, para fins irregulares que não explicou, um elevado montante em dinheiro, num valor também não especificado, na sucursal de Bissau do Banco Totta e Açores. Maus ventos sopram (continuam a soprar) na Lusofonia... 19.Jun.2001 |
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