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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Friday, 10 September 2010
Morreu Costa Gomes Imprimir E-mail
Tuesday, 12 June 2007
Mandam as regras do politicamente correcto (e para tal basta ver o que disseram, mesmo sem sentirem, alguns dos «nossos» políticos) que esta é a altura em que se devem esquecer algumas verdades... a bem da Nação (como diria Salazar).
Lamento. Mais uma vez terei de ser politicamente incorrecto.
Continuo a pensar que dizer o que pensamos ser a verdade é o melhor predicado dos Homens de bem. E o que penso ser a verdade não me permite elogiar um homem que, quanto a mim, traiu muitos portugueses e desonrou a Pátria que dele fez um alto dirigente.

Repito aqui o que, a propósito de Costa Gomes, escrevi em 1976. Isto é, que nunca seria amaldiçoado pelos refugiados e retornados de África.
Isto porque todos eles detestam estar em longas filas.
Ao contrário dos políticos socialistas, comunistas, sociais-democratas e democratas-cristãos, a minha memória de Costa Gomes começa anos antes do 25 de Abril de 1974.
Começa em Janeiro de 1971 quando, em Cabinda, o general Costa Gomes, então comandante-chefe das Forças Armadas Portugueses em Angola, realçou a bravura do Exército português no «combate ao terrorismo, em defesa de uma causa justa».
Pouco mais de três anos depois, o mesmo general transformava os terroristas em heróis e passava uma causa justa para o rol das maiores infâmias do Mundo.
É esse homem que hoje é elogiado como se, de facto, o seu passado não contasse, como se a guerra civil que Angola ainda vive nada tivesse a ver com as atitudes de Costa Gomes.
E, para mim, isso não vale.
O Governo falou de «militar distinto» e «cidadão exemplar».
Como militar, importa ainda recordar que em Angola, por exemplo, incentivava sempre os «bravos soldados portugueses» a lutar contra o inimigo que queria destruir o nobre ideal de uma Pátria do Minho a Timor.
E então? O que fez o comandante, Costa Gomes, quando se deu o 25 de Abril?
Abandonou os seus soldados. Muitos deles, tal como muitos civis, nem direito a uma campa tiveram.
Hoje, com a hipocrisia habitual, faz-se crer que a História de Portugal só começou a ser escrita no dia 25 de Abril de 1974. Se assim fosse, não haveria grandes dúvidas: Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho, Rosa Coutinho, Víctor Alves, Vítor Crespo, Melo Antunes, Vasco Gonçalves (entre muitos outros) seriam heróis.
Acontece, contudo, que a História (e a memória) desta Nação começa muito, muito antes. E, por isso, falar de «militar distinto» e «cidadão exemplar» é atentar contra essa mesma História.
Para além, é claro, de aviltar a memória de militares e civis que com sangue e com a vida ajudaram a escrever as suas páginas.

31.Jul.2001
 
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