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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Tuesday, 07 September 2010
Artigo publicado no Jornal de Notícias em 03-07-1998 - Ludgero Marques Imprimir E-mail
Monday, 11 June 2007
Artigo publicado no Jornal de Notícias em 03-07-1998

Ludgero Marques afirma:

«João Cravinho está contra a Região Norte»
Ludgero Marques, colocando-se - como diz - na posição de um vulgar cidadão, entende que o ministro João Cravinho está "contra as pessoas do Norte". "Dizendo coisas do tipo: vocês já podiam ter feito mais, vocês não sabem fazer, vocês já gastaram muito dinheiro e o melhor é estarem caladinhos ou não levam nada, o ministro feriu muita gente", afirma o presidente da AIPortuense.
Política de aeroportos
No meio desta polémica volta a estar a (in)existência de uma política aeroportuária. Ludgero Marques entende, "mesmo salvaguardando eventuais falhas de interpretação da Comunicação Social", que "neste momento não se justifica a criação de um aeroporto em Lisboa, pese embora cada vez Lisboa estar mais bonita e cada vez Lisboa precisar de mais obras para complementar e completar aquelas que têm sido feitas até a este momento". "O aeroporto de Lisboa tem gasto uns milhões de contos nestes últimos anos e vai continuar a gastar, naturalmente, ganhando mais dimensão nas suas salas e nas suas instalações, e nada justifica que seja necessário um movo aeroporto", diz, acrescentando que o que urge é pensar em termos nacionais, o que inclui Faro e Porto e não, "como vem sendo hábito, apenas Lisboa".
Saturação alivia-se
O presidente da AIPortuense, a propósito da tese de saturação do aeroporto de Lisboa, interroga-se sobre se com o melhoramento do aeroporto do Porto não se estaria a contribuir para um substancial alívio, de modo a que, "em vez de precisarem de um aeroporto para o ano de 2030, que custará mais de 400 milhões de contos, essa necessidade só se notasse lá para o ano 2050?". Ludgero Marques situa, contudo, a questão a outro nível, ou seja a importância de um aeroporto do noroeste da península, isto porque, "não há dúvida nenhuma, as ligações que são feitas à Galiza, neste momento, estão a aumentar o tráfego descendente e ascendente (muito mais o descendente)". Acresce, recorda, que a Corunha "está a fazer grandes desenvolvimentos para transformar o seu aeroporto como o principal do noroeste, o mesmo se passando com Santiago de Compostela ou Vigo", por isso, "esta é uma oportunidade única que o Norte de Portugal tem".
Decisões políticas
O presidente da AIPortuense salienta que o Governo entende a questão de uma forma economicista ("é aquilo que normalmente faz quando quer fazer obras no Norte e manda a ANA com números para justificar o que não se faz"), "quando a única maneira que têm de resolver é igual àquela que se faz em Lisboa, ou seja tomarem decisões políticas e não puramente economicistas". "Não é com o arranjo, como o senhor ministro veio aqui anunciar, de seis ou sete milhões de contos, mas sim com outra dimensão, com outra forma de atrair as atenções internacionais e nacionais que o país avança", considera Ludgero Marques. "O senhor ministro só pensa em Lisboa. A sofreguidão de Lisboa é grande para tomar uma decisão e depois dizer que já está tomada e que não há nada a fazer. É preciso que os nortenhos, e não só, tomem consciência dessa sofreguidão que há relativamente ao aeroporto de Lisboa, fazendo no Norte um movimento que altere a situação", opina, adiantando que a AIPortuense "está a fazer um estudo, e vai apresentá-lo rapidamente, sobre as necessidades de uma infraestrutura aeroportuária suficientemente dimensionada para aquilo que tem de ser o Norte".
Estudo da AIPortuense
Esse estudo, diz, "será uma visão de futuro, de modo a não ficarmos mesquinhos a dizer que já temos uma gare, deixando o senhor ministro a julgar que os parolos do Norte ficam deslumbrados com umas mangas".
De opinião similar, embora reconheça a validade da argumentação do ministro João Cravinho, é o deputado socialista Fernando Jesus (membro da Comissão Parlamentar que acompanha o assunto).
Garantias do ministro
"Perguntei ao ministro João Cravinho se o país real estaria preparado para mais um mega-investimento em Lisboa, numa altura em que o resto do país continua com muitos problemas por resolver", diz Fernando Jesus, afirmando que o referido membro do Governo garantiu que "o Norte não seria prejudicado". Integram esta Comissão dois deputados do Porto. Para além de Fernando Jesus, que continua "preocupado, embora acredite nas garantias do ministro", integra a Comissão o social-democrata Carlos Brito que, ao que parece, se manteve solidário com as políticas do ministro João Cravinho, afastando-se claramente das preocupações do deputado socialista Fernando Jesus.

05.03.02
 
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