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A "morte de Jonas Savimbi" nunca conseguirá pôr termo ao conflito armado que há mais de duas décadas opõe UNITA e MPLA em Angola, já que "não pode haver solução pelo esmagamento do inimigo". A convicção foi expressa pelo eurodeputado socialista Mário Soares, ex-presidente da República, no hemiciclo do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, França, durante um debate sobre a situação em Angola que antecedeu a aprovação duma posição comum da instituição sobre o assunto. "Não pode haver solução pelo esmagamento do inimigo, mesmo com a morte de Jonas Savimbi", disse Mário Soares, para quem a guerra em Angola só terá fim quando for possível "acabar com os senhores da guerra que existem em ambos os lados". O ex-Presidente da República portuguesa repudiou, simultaneamente, a atribuição sistemática das responsabilidades pela situação em Angola "apenas a uma das partes", tanto mais que a realidade do país é "complexa" "Devemos condenar ambas as partes do conflito. Se condenássemos apenas uma das partes, estaríamos a olhar com um olho cego para uma realidade que é complexa, e esse seria um acto político com o qual não estamos de acordo", salientou. Esta visão equidistante implica, defendeu Mário Soares, condenar de forma veemente "todos os massacres praticados em Angola, venham eles de onde vierem", ou censurar os "interesses ligados ao petróleo e aos diamantes que ganham com a guerra em Angola". Por isso, na linha da resolução aprovada no plenário do PE sobre Angola, Mário Soares defendeu a necessidade de "dar voz e apoiar a sociedade civil", nomeadamente a Igreja Católica e todas as "vozes independentes da sociedade angolana que querem a paz". Mário Soares propôs mesmo que o Parlamento Europeu promova a audição das organizações emergentes na sociedade civil angolana que procuram a paz, à margem dos protagonistas da guerra. E a posição comum aprovada pelos eurodeputados reunidos em Estrasburgo constitui, no entender do eurodeputado do PS, "um apelo inequívoco a favor da paz em Angola, que tem de ser sublinhado pela Comunidade Internacional". O documento aprovado pelo plenário do PE sublinha, precisamente, a necessidade de encorajar "todos os esforços cívicos independentes" emergentes na sociedade civil angolana para que possa ser fomentada "cultura de abertura e diálogo" contra um conflito que "se prolonga há mais de duas décadas". O apelo visa apoiar iniciativas como a recém-criada organização cívica Amplo Movimento de Cidadãos (AMC), presidida pelo jornalista angolano Rafael Marques, que tem por objectivo pôr a sociedade civil a "repensar Angola" e a participar activamente na vida do país. Só apoiando este tipo de "organizações da sociedade civil", além dos "esforços a favor da paz desenvolvidos desde há muito" pela Igreja Católica, será possível, no entender do PE, "promover uma cultura de abertura e diálogo" propiciadora da "reconciliação nacional" no país. A posição comum adoptada pelo Parlamento Europeu não esquece também os protagonistas do conflito angolano, exortando-os a "procurarem empenhadamente uma solução que devolva a paz e a esperança ao povo de Angola", uma vez verificado o impasse criado pela "solução militar".
15.Jun.2001
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