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O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) assegurou que o despedimento de 150 mil funcionários públicos, defendido no estudo «Uma nova ambição para Portugal», resulta "exactamente de números do Governo". "O ministro da Reforma do Estado anunciou que 200 mil trabalhadores da Administração Pública estão a mais, mas teremos que esperar dez anos para que se reformem, enquanto o ex-ministro Pina Moura preconizava a redução de trabalhadores na proporção de quatro saídas para um novo. Isto significa que admitem 25% e despedem 75%, e 75% de 200 mil são 150 mil", explicou Ludgero Marques. O presidente da AEP falava no final da apresentação pública do estudo «Uma nova ambição para Portugal - Repensar o Estado, dinamizar a iniciativa privada, mobilizar a sociedade civil», que, entre outras medidas, aponta a imperativa redução do número de efectivos na Administração Pública. De acordo com o também empresário, "estas contas nem eram, de resto, precisas", porque "para quem está tão habituado a conhecer a eficiência de uma empresa, é fácil saber que em 750 mil funcionários públicos não é difícil encontrar valores de racionalização da ordem dos 150 mil". "A diferença entre nós e o ministro Alberto Martins é uma questão de tempo. Nós achamos que não podemos esperar tanto tempo para reformar o País, e ele acha que tem que ser lentamente, depois quem vier que feche a porta e mande os outros embora", afirmou. Adiantando não ter um horizonte temporal definido para redução dos efectivos da Administração Pública, Ludgero Marques defendeu que o que se pretende é "dar mais organização ao sistema, melhorando a organização administrativa e conferindo-lhe racionalidade e operacionalidade". "Não estamos contra a função pública, porque ela é indispensável ao funcionamento do País. Estamos, sim, preocupados com a forma pela qual é realizada a sua gestão, com falta de racionalização e qualidade, como os seus desperdícios e os maus exemplos que apresenta aos cidadãos", referiu. A AEP adianta que esta redução dos efectivos da Administração Pública deve ser atingida através de um sistema de mobilidade e contratualização entre os sectores público e privado. Couto dos Santos, da AEP, adiantou que "quando o sector privado teve, recentemente, dificuldades de mão-de-obra e recorreu a imigrantes, o Governo poderia então ter promovido a inserção de trabalhadores públicos no sector privado, mantendo o seu vínculo à função pública, mas poupando, ao menos, o encargo dos salários".
15.Out.2001
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