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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Wednesday, 03 December 2008
Milhares de crianças e jovens morrem em Angola Imprimir E-mail
Tuesday, 12 June 2007
Hortêncio Sebastião
Enviado da Agência Lusa

Uma mulher grávida com sinais visíveis de desnutrição, um filho às costas e outro a ser amamentado, deambula pelo mato carregando à cabeça água de um poço nas imediações da vila de Chipindo, província angolana da Huíla.
O seu marido, também com um aspecto esquelético, quase já sem forças, não esconde no entanto o seu orgulho por ser o chefe de uma família composta por nove pessoas. O homem, questionado pelo repórter da Agência Lusa sobre a sua vida, limitou-se a encolher os ombros e a dizer que "nada mais há a fazer senão ter filhos e fugir à guerra".
Situado a cerca de 425 quilómetros a leste da cidade do Lubango, capital da província da Huíla, o município do Chipindo foi o último a ser conquistado pelas Forças Armadas Angolanas (FAA), em Março, depois de mais de 10 anos sob ocupação das forças militares da UNITA.
A sua população está estimada em cerca de 30 mil pessoas mas poucas se vêm além dos 5.086 deslocados que guerra, concentrados num campo nas imediações da vila. Entre eles estão 2.330 crianças, na maioria em estado acentuado de desnutrição devido à falta de alimentos e medicamentos no centro de deslocados, improvisado com construções «de pau a pique».
Da vila nem restam escombros, tal o estado de destruição em que se encontra depois de ter sido um autêntico campo de batalha num passado recente, quando as forças governamentais e as tropas leais a Jonas Savimbi se batiam por esta região, hoje devastada pela guerra.
No final da semana passada, um grupo de jornalistas angolanos e estrangeiros foi ao Chipindo e constatou os problemas por que passam estes milhares de pessoas, numa área onde a presença militar substitui a administração estatal.
O administrador municipal há mais de cinco anos vive como deslocado de guerra na sede municipal do Cuvango, também na província da Huíla.
O comandante do agrupamento militar das FAA no Chipindo, tenente-coronel António Cacolo, cuja unidade se situa a escassos metros da povoação, assegurou aos jornalistas que controla uma área com um raio de 20 quilómetros.
"A situação do município está controlada e nós instalamo-nos aqui e depois chamamos a população para junto de nós, para se sentir mais segura. Não temos aqui serviços administrativos nem polícia, apenas contamos com um professor e um enfermeiro, ambos voluntários", afirmou à Lusa o oficial das FAA.
Com uma unidade militar em que o único meio de transporte é uma carroça puxada por bois, o comandante apresenta sempre um semblante animado, prometendo continuar ao lado daqueles que sofrem os horrores da guerra.
No Chipindo, contrastando com as pessoas cujo estado nutricional é débil, os poucos animais que povoam a localidade, principalmente bois e cabras, vivem à fartura do que resta das terras, o seu bom pasto.
A chegada dos jornalistas, marcada por duas voltas em espiral do helicóptero, foi aplaudida pelos populares que se aglomeraram junto do aparelho, que transportava algumas dezenas de sacos de milho e peixe seco, insuficientes no entanto para matar a fome aos deslocados de guerra.
O vice-governador da Huíla, Adriano da Silva, ao dirigir-se aos populares, assegurou que tudo será feito para que as autoridades se instalem no município do Chipindo.
Mas enquanto durar a ausência dos governantes e instituições do Estado, disse, "serão enviados alimentos e medicamentos para assistir as populações".
"Há necessidade urgente de se abrirem cozinhas comunitárias porque as pessoas estão muito debilitadas e precisam de se alimentar, sobretudo as crianças", afirmou, salientando que morrem em média cinco crianças por dia no Chipindo devido à fome e à falta de medicamentos.
No Chipindo, a vida é ainda marcada pela inexistência de dinheiro. Mais precisamente, a moeda ali não circula por não ter valor, sendo os produtos adquiridos por trocas: um maço de cigarros vale uma galinha, uma peça de roupa vale um cabrito.

02.Jul.2001
 
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