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Nota: No último artigo desta secção não foi mencionado o autor do texto publicado. Trata-se de Joel Azevedo, presidente da Comissão de Jovens de Ramalde. Com o meu pedido de desculpas... o seu a seu dono.
Os portugueses não estão interessados em participar em debates políticos sobre o futuro da Europa, considerando-os uma "perda de tempo", conclui o relatório do Eurobarómetro sobre questões europeias. Apesar de 55 por cento dos portugueses mostrarem interesse em ver os seus pontos de vista sobre o futuro da Europa "levados em conta" pelas instituições políticas, uma percentagem ainda maior, 61 por cento, afirma, paradoxalmente, não estar interessada em participar em debates públicos sobre a mesma questão. Quando questionados sobre a sua disponibilidade para debates sobre o futuro da Europa com representantes nacionais e europeus, as respostas são maioritariamente negativas: entre 86 e 78 por cento mostram-se indisponíveis. Cinquenta e cinco por cento dos inquiridos consideram que a sua participação nos debates seria uma "perda de tempo", valor bastante acima da média europeia, que se situa nos 37 por cento. O alheamento nacional em relação ao futuro da Europa acentua- se quando se trata das motivações para participar nos debates: embora 34 por cento (média igual à da UE) respondam que gostariam de que as suas opiniões "fossem levadas em conta", quase metade dos portugueses (44 por cento) responde que "não sabe" ou simplesmente "nada". Apesar de 81 por cento dos inquiridos considerarem não estar suficientemente informados para participar nestas discussões, 20 por cento, uma percentagem significativamente superior aos seis por cento da média europeia, não têm "nenhum" tema sobre o qual desejem obter mais informações. A falta de informação demonstrada gera preocupações predominantemente "materialistas" entre os portugueses, cujos maiores receios em relação à construção europeia incidem, sobretudo, na sua segurança e bem-estar material, em contraste com as preocupações "pós-materialistas" (ambiente, desempenho institucional democrático) evidenciadas por outros países europeus. O maior receio nacional é, a este respeito, o aumento do tráfico de droga e do crime organizado, com 70 por cento das respostas, sendo a segunda maior preocupação nacional, no contexto da construção da Europa, o incremento de importações maciças de outros países, a competição desleal, o desaparecimento das PME (Pequenas e Médias Empresas), o desemprego, a falta de segurança alimentar e uma crise económica. Os temas "materialistas", nomeadamente a saúde (60 por cento) e o desemprego (55 por cento) são, por isso, os assuntos que os portugueses mais gostariam de ver debatidos, e em percentagem superior à média europeia. Estas escolhas contrastam com outro tipo de preocupações: apesar de 50 por cento dos portugueses afirmarem temer que a construção europeia reduza o poder de pequenos Estados, outros receios políticos, como a burocracia, a perda de identidade nacional e a falta de compreensão entre culturas, são muito menos importantes do que os materiais e estão abaixo da média europeia. Observa-se também um padrão semelhante quanto aos temas que os portugueses gostariam de ver discutidos, nomeadamente o ambiente, as competências dos estados e da União Europeia, o papel do parlamento e os "valores europeus", que têm uma importância menor em Portugal do que em média na Europa. O Eurobarométro, sondagem sobre "O Euro, o alargamento e o futuro da Europa", inquiriu 1001 pessoas em Portugal e foi realizado, em simultâneo, e com o mesmo questionário, em todos os países da UE. Talvez seja oportuno, até porque não creio que a nossa juventude seja rasca, perguntar o que pensam disto todos aqueles (e não só) que saltam em Vilar de Mouros ou na Azambujeira do Mar.
31.Jul.2001
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