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Por Liliana Castro © Estudante universitária
O mundo do Cinema e do Teatro vê-se agora invadido pela moda. Homens e mulheres com corpos perfeitos e rostos bonitos, são-nos apresentados, diariamente, num mundo onde a qualidade deixou de ser um factor importante. Entristece-me, como actriz que sou, embora amadora, constatar que as nossas novelas e filmes são constituídos quase maioritariamente por modelos. Não é a eles que condeno, os modelos apenas agarram a oportunidade que lhes é dada, condeno - isso sim - quem os escolhe, quem prefere uma imagem bonita a uma imagem com talento. Quem para escolher "actores" os procura nas agências de modelos e não nas escolas de Teatro. Formam-se actores todos os anos, actores com qualidade que têm de contentar-se a ser uns "desgraçados" toda a vida porque escolheram a arte que amam... mas não têm um corpo perfeito. Porque ser actor é muito mais do que desfilar perante as câmaras, é todo um mundo diferente, de emoções, sentimentos e sensações... Não espero que compreendam o que eu digo, só quem sente é capaz de entender. Mas eu pergunto se será justo, se será correcto. Num mundo que vive pela imagem, pelo consumo desenfreado e tão vazio de emoções tentemos dar-lhe um pouco mais de humanidade e de verdade. Um actor não se faz num dia, alguém que faz um casting e faz uma novela não é um actor, não pode ser. Então e nós que nos entregamos com amor, de corpo e alma, ao Teatro? O que somos nós? Não deveríamos ser nós a preencher essa palavra - Actor. Mas afinal de contas até somos nós, nós que pisamos um palco, nós que sentimos, nós que recebemos os aplausos, nós que sabemos o quanto custa amar uma arte que é ainda descriminada. Mas não faz mal, enquanto uns fingem na televisão, vivem de aparências e imagens falsas, nós sentimos, nós somos. E apesar de tudo, ninguém nos pode impedir de sonhar!
©Artigo publicado no Jornal de Notícias em 21 de Março de 2000
23.Ago.2001
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