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A Comissão de Jovens de Ramalde tomou conhecimento, pela comunicação social e graças à polémica instalada, da realização do jantar barroco, promovido pela Porto 2001 para, pretensamente, reflectir sobre o urbanismo portuense e homenagear Nasoni. A nossa primeira nota é, assim, de surpresa: que sentido faz essa reflexão, sobretudo quando promovida por uma entidade pública e à custa dos dinheiros públicos, se não se procura nela envolver a população e as instituições locais? É que nem a nossa associação nem nenhuma entidade da freguesia de Ramalde, onde se situa a Quinta da Prelada e o agora célebre viaduto desocupado sobre a VCI, foram contactadas ou convidadas. Essa é, aliás, a tónica dominante da intervenção da Porto 2001. A freguesia de Ramalde, terceira da cidade em área e população, com cerca de 15% da população do Porto, foi completamente esquecida em termos de reabilitação urbana (o que se compreende face à necessidade de intervir no tecido urbano do centro da cidade), mas também no que diz respeito à programação cultural, incluindo aqui a área de envolvimento da população. Em Ramalde quase não houve Porto 2001, tendo demonstrado os programadores a visão vesga de que o Porto / Cidade se reduz ao triângulo Ribeira/Baixa/Boavista, acabando algures na Rua de Camões. Apesar de tudo, e porque o Porto é o mais importante, fomos calando algumas divergências. Mas agora que venham a Ramalde fazer fitas, em ambiente de turismo chique (e seguramente caro, face à importação de cozinheiro, vinho e víveres), como quem vai visitar o campo e aproveitar para dar uma espreitadela aos indígenas, essa não vamos deixar passar. Onde esteve a intervenção da Porto 2001 sobre a evolução urbana das freguesias periféricas do Porto (é que em Ramalde, Paranhos e Campanhã moram metade dos portuenses)? Que actividades concretas a Porto 2001 promoveu/apoiou nessas freguesias (e já agora com que percentagem do orçamento total)? Para a Comissão de Jovens de Ramalde, com mais de quinze anos de trabalho de animação local, de estudo, defesa e divulgação do património nasoniano (e outro) da freguesia, sobrou menos do que a despesa com a importação do cozinheiro. Uma última nota para a forma de relacionamento público entre a Câmara Municipal do Porto e a Porto 2001. É que, pesem embora todas as eventuais divergências, de um lado estão cidadãos eleitos para representar a cidade e do outro assalariados (por mais chorudo que seja o salário) que dependem deles em termos de legitimidade. Um pouco mais de profissionalismo e de humildade talvez nos poupasse a todos, os portuenses, a este espectáculo constante que não prestigia ninguém.
©O título é da responsabilidade da OPR, sendo o resto a reprodução integral do Comunicado da Comissão de Jovens de Ramalde
06.Set.2001
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