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A população portuguesa está a envelhecer e pela primeira vez a percentagem de idosos, 16,4, ultrapassou a dos jovens até aos 14 anos (16 por cento), anunciou o Instituto Nacional de Estatística. Na divulgação dos dados provisórios da operação Censos 2001, o INE apresentou dados comparativos com as operações censitárias de 1991 e 1981 que permitem concluir um "duplo envelhecimento" da população portuguesa. "Trata-se de um duplo envelhecimento: pelo topo, com a população idosa a aumentar 26,8 por cento face a 1991 e 51,2 por cento face a 1981; pela base, com a população jovem a diminuir 15,9 por cento face a 1991 e 33,8 por cento face a 1981", refere uma nota do departamento oficial de estatística. Os dados recolhidos no Censos do ano passado traduzem também um decréscimo, relativamente a 1991, de 8,3 por cento da população entre os 15 e os 24 anos e de 9,3 por cento face a 1981. Esta diminuição é justificada com um "acentuado declínio" da natalidade registada a partir da década de 80. Entre os 25 e os 64 anos foi, pelo contrário, registado um acréscimo de população de 11,7 por cento relativamente a 1991 e de 20,7 por cento face a 1981. Devido ao envelhecimento da população o índice de envelhecimento aumentou de 45 para 103 idosos por cada 100 jovens, factor para o qual contribuiu a população feminina, cujo índice era, em 2001, de 122 idosas por cada 100 mulheres jovens. No sexo masculino regista-se um índice de 84 idosos por cada 100 jovens, um dado que de acordo com o INE "reflecte a maior longevidade feminina". Dos dados provisórios do Censos 2001 concluiu-se também que na última década o índice de dependência baixou de 51 por cento para 48 por cento, ou seja, existiam no ano passado 48 dependentes por cada grupo de 100 cidadãos activos. Em 1981 este índice situou-se nos 59 dependentes por cada 100 activos. Segundo o INE, a diminuição do índice de dependência ficou a dever-se à quebra da população jovem e do seu índice de dependência, que era de 41 por cento em 1981, de 30 por cento em 1991 e de 24 por cento em 2001. No âmbito da população idosa, a dependência aumentou de 18 por cento em 1981 para 21 por cento em 1991 e para 24 por cento em 2001. Cerca de metade dos 10,3 milhões de residentes em Portugal estão casados com registo, 37,5 por cento são solteiros, 6,6 por cento viúvos, 1,9 por cento divorciados, 0,7 separados e 3,6 por cento vivem em união de facto. Entre 1991 e 2001, o INE constatou um "aumento significativo" de indivíduos em união de facto (casados sem registo) que quase duplicaram, passando a representar cerca de sete por cento do total dos casados em 2001. Além disso, na última década o número de divorciados "mais que duplicou", enquanto a percentagem de separados diminuiu 33 por cento. Estas duas classes detinham em 2001 2,7 por cento do total da população quando em 1991 representavam 2,2 por cento. Dos dados compilados pelo INE no capítulo da População e Família, o departamento verificou ainda um aumento do nível de instrução da população que atingiu o ensino superior - 10,6 por cento da população em 2001 contra 4,9 por cento em 1991. A feminização do ensino superior acentuou-se na década 90, sendo que em 2001 as mulheres representavam mais de metade da população (56 por cento) que tinha atingido este nível de ensino quando em 1991 e 1981 eram, respectivamente, 49 e 38 por cento. A percentagem de habitantes que atingiu o ensino secundário aumentou também de 8,7 por cento em 1991 para 15,4 por cento em 2001. O Instituto Nacional de Estatística concluiu ainda que a dimensão médias das famílias continua a diminuir, registando em 2001 um valor de 2,8 pessoas quando em 1991 e 1981 a dimensão média dos agregados familiares era de, respectivamente, 3,1 e 3,4 pessoas.
01.Fev.02
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