|
No início deste mês o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) mostrou serviço. Pouco, parco e para inglês ver. Mas mostrou. Ou seja, deteve em Lisboa três ucranianos que transportavam imigrantes da mesma nacionalidade e que se destinavam ao mercado de trabalho clandestino. Paralelamente, o SEF concedeu desde Janeiro 76.510 autorizações de permanência em território nacional a imigrantes, a maioria dos quais oriundos da Ucrânia. Nos 112 dias úteis de legalização, o SEF emitiu autorizações de permanência a 40.194 cidadãos provenientes da Ucrânia, 13.993 do Brasil, 5.697 da Moldávia, 4.413 da Roménia, 3.403 de Cabo Verde e 3.192 da Rússia. Dos dados contabilizados constam ainda autorizações a 3.064 angolanos, 2.446 paquistaneses, 2.230 a cidadãos da Guiné-Bissau, 2.060 da Índia e 2.100 da China. A Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo do SEF foi a que concedeu mais autorizações desde 22 de Janeiro, com um total de 40.194, seguida da do Algarve (12.145), do Norte (11.443), do Centro (10.558), da Madeira (1.438) e dos Açores (732). A propósito desta temática, um amigo perguntou-me: «Viu aquela reportagem sobre os imigrantes de Leste que este Governo deixa cá entrar em catadupas sem se preocupar se eles têm ou não condições para viver cá?» E acrescentou: «Já há algum tempo tinham mostrado como vive essa gente e o triste espectáculo que proporcionam a catar comida dos contentores que as pessoas ou os supermercados deitam fora. Um magnifico espectáculo para quem está de visita a Portugal...». Atento ao que por cá se passa (ao contrário dos «nossos» enciclopédicos, recordistas e clandestinos governantes), o meu amigo referiu-se ainda ao facto de ser a Associação da Guine-Bissau, liderada por Fernando Ká, que prestou apoio em comida e outros bens de primeira necessidade a esses imigrantes... «como se não bastasse o apoio que já tem que dar aos naturais da Guiné e de os ajudar a resolver os inúmeros problemas que têm». Acresce que, «devido ao enorme afluxo de imigrantes de Leste que cada vez mais lhes pedem apoio, a Associação guineense pediu a varios organismos do Estado para os ajudarem porque estão a entrar em ruptura. Nem resposta tiveram». Resposta? O conjunto de ministros que, mais remodelação menos remodelação, o país vai tendo em reuniões semanais e em acções de proganda tem muito mais que fazer do que, entre outros, se preocupar com este real e efectivo problema. É claro, como diz o meu amigo, que «daqui a algum tempo vão dizer que não percebem porque é que a criminalidade aumentou tanto». Não admira. Estes conjuntos de ministros dos últimos tempos, sempre abençoados e traídos pelo mesmo ministro (o primeiro) António Guterres, não percebem o país e apenas têm uma vaga ideia sobre o que se passa ali para os lados do largo do Rato. De uma coisa devemos ter a certeza. As dívidas de toda esta desastrosa governação vão ter de ser pagas. O mal está em que, como quase sempre, quem as vai pagar não é quem as fez.
08.Jul.2001
|