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Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) moçambicana, pediu livros, mesmo usados, para poder disseminar pelas zonas rurais de Moçambique pequenos centros culturais. A antiga primeira-dama de Moçambique e ex-ministra da Educação reuniu-se, em Lisboa, com a secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a brasileira Dulce Pereira, de quem espera apoio para este projecto local. Durante o encontro, Graça Machel comprometeu-se a apoiar a secretária-executiva da comunidade, pois, como afirmou, "neste mundo a crueldade para com as mulheres é muito grande". "A Dulce é uma senhora, é a primeira secretária-executiva que a comunidade tem. Se tiver algum fracasso, não vão dizer que a Dulce falhou, mas vão dizer que as mulheres falharam, e todas nós, como mulheres, estamos interessadas que ela seja bem sucedida", disse. Graça Machel referiu-se ao programa da CPLP sobre o combate à Sida como um projecto de todos os Estados-membros e para todos os Estados da CPLP. A presidente da FDC referiu que é possível, aproveitando a experiência brasileira, a criação de capacidades em Moçambique para a produção de medicamentos contra o HIV, uma ideia que seria também útil aos países vizinhos na zona do Índico.Graça Machel, que se deslocou a Portugal a convite do Instituto de Apoio à Criança português, presidido por Manuela Eanes, foi também recebida pelo presidente da República, Jorge Sampaio. Enquanto isso, o primeiro-ministro cabo-verdiano defendeu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deve centrar os seus esforços na procura da paz em Angola, à semelhança do "papel importante" que desempenhouno conflito na Guiné-Bissau. "No início deste novo século, a CPLP deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que se cumpra o Acordo de Paz de Lusaca e, depois, para que se realizem eleições num ambiente de paz", sublinhou José Maria Neves. Numa alusão à intervenção numa missão de mediação liderada então pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano, José Luís de Jesus, o governante cabo-verdiano lembrou que a CPLP acabou por desempenhar um "papel interventivo" no desenlace do conflito político-militar guineense de 1998/99. Nesse sentido, defendeu, a cimeira ministerial da CPLP marcada para 31 deste mês em S. Tomé e Príncipe será um local "privilegiado" para "reflectir profundamente sobre esta questão". "A CPLP tem de trabalhar activamente nesse sentido", insistiu. Reafirmando o "empenho total" do executivo cabo-verdiano para a consolidação da CPLP - "um espaço importante que vale a pena construir" -, José Maria Neves manifestou a esperança de que, em breve, possa acontecer um acordo para a supressão dos vistos no espaço lusófono, incluindo Timor-Leste. José Maria Neves, aliás, reafirmoutambém a "solidariedade" de Cabo Verde para com Timor-Leste, garantindo que irá, "com toda a certeza e boa vontade", estar presente no dia em que se celebrar a festa de independência de Timor-Lorosae. "Em breve, assim esperamos, Timor-Lorosae será o oitavo membro da CPLP", afirmou.
13.Jul.2001
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