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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Wednesday, 03 December 2008
José Eduardo dos Santos, Mugabe e... Kadhafi Imprimir E-mail
Tuesday, 12 June 2007
O Governo de José Eduardo dos Santos não está com meias palavras. Agora descobriu mas uma das suas originais soluções para «ajudar» o Zimbabué. Nem mais, nem menos: Angola (?) aceita acolher, segundo o governador do Banco Central angolano, os fazendeiros que decidam abandonar o Zimbabué devido à política de terras do presidente Robert Mugabe.
Aguinaldo Jaime garantiu que aqueles fazendeiros poderão comprar ou alugar terras em Angola por períodos longos e terão assegurado o respectivo título de propriedade.
Pelos vistos, Aguinaldo Jaime é dono e senhor de Angola, razão pela qual pode decidir o que bem lhe apetecer, mesmo que isso seja feito à revelia dos angolanos.
Segundo Aguinaldo Jaime, o executivo de Luanda lançou uma nova estratégia de atracção de investidores, especialmente nos sectores exteriores ao petróleo, como a mineração, agricultura e pescas.
Vamos continuar a assistir ao folhetim de Luanda pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos do seu pobre país.
Aguinaldo Jaime notou que, apesar de Angola ter atraído um investimento externo directo considerável no sector dos petróleos, este capital não criou um número significativo de postos de trabalho, pelo que é necessário apostar nas indústrias de mão de obra intensiva.
Por isso foram tomadas medidas encorajadoras do investimento em todas as áreas da economia angolana e, à excepção da segurança e transportes, as normas permitem o total repatriamento dos dividendos.
Haverá, com certeza, quem acredite nestas ideias... nem que sejam os fazendeiros do país de Robert Mugabe. Falta, contudo, o resto. E o resto, que todos os dias se sabe não ser tão pouco quanto isso, não passa pelo Governo de Luanda mas, isso sim, pelos agolanos onde é necessário e inevitável incluir a UNITA.
Aguinaldo Jaime garantiu que o Estado angolano não interferirá na gestão das empresas estrangeiras e que não forçará os investidores externos a aliarem-se a parceiros locais.
Não interferirá? Nesta é quem os fazendeiros acreditam.
"Se pretendemos que as pessoas invistam recursos maciços, elas têm de sentir que podem gerir os investimentos como querem e repatriar os respectivos lucros". Nem Pina Moura diria melhor...
Para defender que Luanda "fez muito" nos últimos anos para normalizar a economia angolana, citou a liberalização das taxas de juros e dos mecanismos de controlo de divisas, a restruturação das empresas públicas, a retirada de algumas barreiras comerciais e um esforço de transparência na gestão política e económica do país.
Notou ainda, neste domínio, que as receitas do petróleo e a contabilidade do banco central começaram a ser submetidas a auditoria por entidades independentes e que a inflação baixou nos últimos quatro anos de 3.000 para 70 a 80 por cento.
E tudo isto acontece numa altura em que Moammar Kadhafi apresentou a solução (eventualmente retirada dos manuais do MPLA) para o problema do Zimbabué: expulsar todos os brancos de África e ocupação das suas terras.
Kadhafi, que visitou o Zimbabué, exortou os zimbabueanos negros e os africanos em geral a correrem com os brancos do continente e a só pararem se estes aceitarem transformar-se em criados.
Recorde-se que cerca de 1.700 fazendas pertencentes a brancos foram ocupadas desde que Mugabe exortou os chamados antigos combatentes a ignorarem a lei e as ordens dos tribunais e a apropriarem-se de terras.
O executivo zimbabueano já referenciou para nacionalização sem compensação cerca de 5.000 fazendas de brancos (95% do total).
Este ambiente de tensão tem provocado um duplo efeito sobre a vizinha África do Sul. Pretória viu-se forçada a assumir o abastecimento eléctrico e de combustível do Zimbabué, para evitar o colapso de um país que até recentemente era um dos seus principais mercados de exportações.
Por outro lado, enquanto vai absorvendo milhares de imigrantes ilegais, em fuga do desemprego nos países vizinhos, a África do Sul tenta assegurar que a sua própria redistribuição de terras não siga o caminho do Zimbabué.

19.Jul.2001
 
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