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Moammar Kadhafi continua a mostrar o seu lado filantropo (ou será antropófago?) nas soluções e ajudas para os seus seguidores africanos. Primeiro foi a solução para todo o continente africano, apresentada com pompa e circunstância no Zimbabué: expulsar todos os brancos de África e, é claro, ocupar as suas terras. Como alternativa, Kadhafi aceitaria que os brancos ficassem em Áfroca desde que aceitassem «transformar-se em criados». Mais recentemente, o democrata líder da Líbia resolveu pagar as dívidas que a Guiné-Bissau tinha para com a Organização de Unidade Africana (OUA). De facto, a ministra guineense dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, Antonieta Rosa Gomes, anunciou em Bissau que a Líbia pagou a dívida do país à OUA. A ministra não referiu a quantia em questão o que, aliás, não é importante. O importante é saber que para se defender do gato que a atacava, a Guiné pediu a ajuda da onça. Antonieta Rosa Gomes fez o anúncio em conferência de imprensa em Bissau, em que divulgou a adesão da Guiné-Bissau à União Africana (UA) e deu conta dos resultados da Cimeira da OUA em Lusaca, na qual participou ao lado do presidente guineense, Kumba Ialá. A MNE guineense não precisou o montante exacto, limitando- se a referir que, "graças à cooperação e excelentes laços de amizade" entre Bissau e Tripoli, "foi possível saldar a dívida" para com a OUA. A OUA entendeu que "o marco histórico da criação" da UA foi o doa 2 de Março passado, quando 53 Estados-membros da OUA "subscreveram a criação e o lançamento da União Africana" numa cimeira dos Chefes de Estado africanos realizada na localidade... líbia de Sirte. Antonieta Rosa Gomes participou também na cimeira de Sirte, tal como o presidente Ialá. A chefe da diplomacia guineense fez uma explicação detalhada da forma como vai funcionar a União Africana, afirmando-se esperançada em que a organização trará "grandes benefícios" para o continente, sobretudo com a aplicação do chamado "Plano Omega", desenvolvido pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. É um plano, disse Antonieta Rosa Gomes, que permitirá o "arranque definitivo" da África "em todos os domínios". O chamado "Plano Omega", elaborado pelo presidente Wade e adoptado pela UA em conjunção com o chamado Plano do Milénio sul africano, já foi comparado por diversos dirigentes africanos ao "Plano Marshall" de reconstrução da Europa depois da Guerra Mundial de 1939/45. Prevê a recuperação e o relançamento da África com vista à erradicação das guerras, doenças e pobreza, começando por propor o perdão total da dívida externa de todos os países do continente. A tudo isto deverá juntar-se a informação de que um grupo de Organizações Não-Governamentais (ONG) guineenses manifestou a sua preocupação com os "sinais visíveis de crispação social crescente, fragilidade política e militar acentuadas, debilidade económica e corrupção instalada e comprovada nas finanças públicas" na Guiné-Bissau.
31.Jul.2001
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