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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Wednesday, 03 December 2008
A cegueira de Kofi Annan Imprimir E-mail
Tuesday, 12 June 2007
O presidente da UNITA escreveu ao secretário-geral da ONU. Credível ou não, a carta de Jonas Savimbi, voltava a falar de Angola. Sincera ou não, a carta apontava soluções para o problema de Angola.
Kofi Annan resolveu, à revelia das mais elementares regras civilizacionais, não responder, alegando que Savimbi "é um dos dirigentes da guerrilha angolana abrangido pelas sanções" decretadas pela ONU desde 1993 e, por isso, "não está contemplada" uma resposta à carta.
Kofi Annam em vez de também procurar soluções para o problema está, e já não é a primeira vez, a procurar problemas para a solução. Enquanto isso, lá longe, bem longe das câmaras da CNN, os angolanos continuam a morrer pela guerra, pela fome, pela doença.
Na carta a Kofi Annan, o presidente da UNITA afasta a solução militar do conflito angolano e apela para que a comunidade internacional promova o diálogo entre as partes. Não seria de aproveitar a oportunidade para mais uma vez (tantas vezes quantas for necessário) tentar encontrar a paz para Angola? E a melhor forma não seria, como mandam as mais elementares regras, responder? Ou será que a ONU quer encontrar a solução sem a UNITA, sem Jonas Savimbi?
Se é isso que quer, coincide «ipsis verbis» com a tese do Governo de Luanda que, como todos os dia se vê, tem resultados desastrosos. É que, pela guerra ou pela paz, nada é viável em Angola sem a participação da UNITA. E não é criando UNITAS Renovadas ou fazendo de conta que Savimbi não existe que, alguma vez, se alcançará a paz.
Ao não responder, Kofi Annan está a criar alguns amigos em Luanda, tal como está a condenar ainda mais milhares de angolanos à morte.
Pode questionar-se a sinceridade de Jonas Savimbi. Pode dizer-se que o líder da UNITA já disse o mesmo dezenas de vezes. O mesmo se pode aplicar a José Eduardo dos Santos.
Seja como for, quando Savimbi diz que «seguramente as sanções deram mais arrogância ao Governo, ainda que todos reconheçam que não há solução militar para o conflito em Angola», acrescentando que, «neste exercício de devolver a paz aos angolanos, ambos os lados têm que pagar um preço», que «a UNITA aceita esse preço e o Governo do MPLA também o deve aceitar», pelo que «implora que a comunidade internacional decida em breve permitir aos angolanos falar uns com os outros», está a dizer tudo o que preciso dizer.
Das palavras aos actos vai uma grande distância? Vai com certeza.
Mas, reconheça-se, é necessário começar por algum lado. E não é fazendo de conta que Savimbi não existe que a ONU, sobretudo a ONU, ajuda que a UNITA passe aos actos... de paz.
Para além de secretário-geral da ONU, Kofi Annan também foi Prémio Nobel da Paz. Estas duas situações (pelo menos estas) deveriam ajudá-lo a não confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.
Até porque, como diz a UNITA, vamos de derrota em derrota até à vitória final. Ou, como digo eu, não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar.
E é pena que Kofi Annan nem sequer tente, até porque é pago para tentar tantas vezes quantas forem preciso.

23.Out.01
 
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