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O jogo entre Portugal e Angola, que terminou com a vitória da selecção lusa por 5-1, sendo definitivamente interrompido aos 68 minutos por inferioridade numérica da selecção africana, reduzida a seis elementos - quatro expulsões e uma suposta lesão -, ficou marcado por diversas "escaramuças" e pelo comportamento violento de jogadores e adeptos angolanos. Desde as bancadas foram arremessadas dezenas de cadeiras, entre outros objectos, e quando a partida terminou foi solicitado, pelos altifalantes do estádio, que o público permanecesse dentro do recinto, até nova ordem, principalmente aqueles que pensassem dirigir-se para a estação de metro do Campo Grande, em Lisboa. Um espectáculo de pirotecnia previsto para o final foi naturalmente cancelado. "Esperava-se por um espectáculo muito bonito, de boa qualidade, mas a festa foi manchada pelo árbitro francês Pascal Garibian", escreve o Jornal de Angola, onde o árbitro é acusado de "parcialidade absoluta e uma dualidade de critérios jamais vista". No Jornal de Angola não é feita qualquer referência ao comportamento dos jogadores e dos adeptos angolanos, sendo apenas visado o árbitro. A agência de noticias angolana ANGOP apenas publicou uma noticia sobre o jogo intitulada 'Selecção nacional novamente goleada ... com espectáculo triste'. A noticia da ANGOP considera que o jogo entre as selecções de Portugal e Angola ficou "marcado pelo triste espectáculo dos visitantes e do árbitro". "Antes do encontro, nada fazia prever um desfecho tão desagradável em termos de espectáculo", refere a agência de noticias angolana, salientando que "à passagem do primeiro quarto de hora, o árbitro chamou a si o protagonismo do desafio, muito bem coadjuvado por alguns jogadores da selecção nacional (de Angola), que tudo fizeram para estragar o espectáculo". Era para ser (como quase tudo na história recente de Angola) uma coisa e, mais uma vez, foi outra. É claro que o povo de Angola não pode, nem deve, ser medido pelo complexado espectáculo dado por alguns jogadores, por alguns dirigentes e por alguns adeptos. O povo angolano não é aquilo. O povo angolano não mata o «pai» de livre vontade, o povo angolano não cospe no prato que lhe dá comida. No entanto, a verdade é que alguns angolanos deram um mau exemplo e mostraram que só há muito pouco tempo deixaram de viver nas árvores. Foi pena. Nenhuma razão, até mesmo a agressão de Pauleta (que deveria ter ido imediatamente para a rua), justifica que os representantes de Angola (muitos deles a viver em Portugal) tivessem aquele comportamento. Fiquei triste. É essa a selecção da tua terra?, perguntou-me um amigo. Com uma lágrima no canto do olho, como diz Bonga, tive dificuldades (e não sei se o consegui) em explicar que não se pode confundir a árvore com a floresta, em explicar que aqueles angolanos ainda enfermam do complexo do colonizador e que ainda olham para os portugueses como o inimigo. É pena. Mas, se em Angola cultivam o ódio entre irmãos... o que seria de esperar?
16.Nov.01
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