|
No dia 6 de Novembro, nesta secção, solicitei ao Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa que informasse os portugueses «das penas a que se sujeitam se pretenderem ser militantes do PSD, do CDS/PP, do PCP, da UNITA, da FNLA etc,. do Benfica, do Belenenses, do Boavista, do Porto, do Salgueiros ou do "trinca na pera"». Obviamente que não tive resposta. O Sr. Presidente, que alguns dizem ser de todos os portugueses, não lê coisas destas e, acredito, mesmo que tivesse conhecimento do pedido mandava-me dar uma volta ao bilhar grande. A todas as razões que possa apresentar para me ignorar, acrescento - de livre vontade - mais duas: sou português de segunda e não votei nele. Mas não foi preciso ter resposta do Sr. Presidente da República para saber as penas a que nos sujeitamos neste (mau) Estado de (pouco) Direito onde, mais uma vez, a ditadura socialista faz o que quer. Assim, ser adepto, militante ou activista da UNITA é um crime que, para já, só dá direito a contas bancárias bloqueadas e ao desemprego. É claro que, ao contrário, ser adepto, militante ao activista do MPLA é um acto nobre que poderá (quem sabe?) dar direito a uma condecoração similar à que o Sr. Presidente da República Portuguesa atribuíu a Cláudia Cardinale. Joffre Justino é um cidadão português, tal como o Sr. Presidente da República Portuguesa. Joffre Justino luta pelo que acredita e, em consciência, é adepto, militante e activista da UNITA, tal como o Sr. Presidente da República Portuguesa luta pelo que acredita e, por isso, é adepto, militante e activista do PS. Joffre Justino é perseguido pelas convicções político-partidárias que tem, tal como o foi o Sr. Presidente da República Portuguesa. Existe, contudo, uma substancial diferença: agora vivemos (supostamente) num Estado de Direito Democrático. Oiço agora dizer que a UNITA é um grupo terrorista. Curiosamente, ouvia antes do 25 de Abril de 1974 o mesmo sobre o PCP e até sobre o PS. Será que algum adepto, militante e activista do PCP, ou o PS, é punido por isso? O Poder socialista português, onde se inclui o Sr. Presidente da República, escuda-se nas asneiras da ONU para, mais uma vez, não trabalhar em prol dos milhões de angolanos que têm pouco, preferindo «lamber as botas» aos poucos angolanos que têm milhões. Holden Roberto, o líder histórico da FNLA, afirma que as sanções internacionais contra a UNITA são "um grande erro", e considera que o Conselho de Segurança está "mal informado" sobre a situação em Angola. «As pessoas chegam aqui, vão ao Futungo (de Belas, local que simboliza a Presidência da República de Angola) e dizem que já compreendem a situação de Angola. Eles só falaram com uma parte, não falaram com a outra e, sobretudo, não falaram com o povo, que deve ser o juiz", diz o dirigente da Frente Nacional de Libertação de Angola. "Essa questão das sanções contra a UNITA é um grande erro porque um medianeiro quando quer ser credível não deve tomar posição a favor de um e contra o outro", afirmou o dirigente histórico da FNLA, acrescentando que a solução do conflito interno angolano tem que passar pelo diálogo entre as partes envolvidas. Estas afirmações de Holden Roberto levam-me a uma outra conclusão. Também é crime, em Portugal, ser português, adepto, militante e activista da FNLA. Vamos esperar para ver o que acontece aos adeptos, militantes e activistas do PSD, do CDS/PP, do PCP, do Benfica, do Belenenses, do Boavista, do Porto, do Salgueiros e do... "trinca na pera"
05.Dez.01
|