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Editorial
Sinergias de grupo

À convergência das partes de um todo que concorrem para um mesmo resultado chama-se sinergia. Hoje em Portugal, numa altura em que pela mão de José Sócrates o país parece ter descoberto a pólvora, as sinergias afiguram-se como um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos.

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Wednesday, 03 December 2008
Carta aberta a George W. Bush Imprimir E-mail
Tuesday, 12 June 2007
Com a devida vénia, mas assinando por baixo, tomo a liberdade de divulgar a carta que hoje (24 de Fevereiro de 2002), Emanuel Matondo e Paulo Bunga escreveram ao Presidente dos EUA.

"Excelência,
Há mais de 26 anos Angola é arrastada pela guerra civil que matou um número incalculável, e vai continuar a matar se os políticos dos partidos beligerantes (FLEC, MPLA e UNITA) não negociarem. No último congresso do MPLA realizado em Dezembro de 1998, como resultado do mesmo foi anunciada a guerra pelo senhor José Eduardo dos Santos como único meio para se alcançar a paz em Angola, onde os seus militares usam armas biológicas, químicas ou não convencionais proibidas, algumas delas já denunciadas pelo Fórum das ONG de Angola (FONGA) há bem pouco tempo.
O governo chefiado pelo MPLA, para além do uso destas armas proibidas pelas convenções internacionais e leis humanitárias, contratou especialistas como mercenários para capturar e/ou aniquilar o líder da UNITA, demonizado entre outros pelo seu país, os EUA.
Mas se os parceiros do MPLA no exterior e dentro da ONU demonizaram só o líder da UNITA, é preciso assinalar que existem também demónios dentro do regime dirigido por José Eduardo dos Santos, considerado pelo povo angolano como responsável por milhões de mortos e outros crimes da guerra em Angola. A captura tanto anunciada da direcção da UNITA tem custado a morte de civis inocentes só para implementar o projecto letal do aniquilamento físico do seu líder Jonas Malheiro Savimbi, ontem considerado como "melhor parceiro" e "combatente da liberdade" ou "defensor dos "valores ocidentais" mas hoje apresentado como o "grande perigo para os interesses superior dos EUA em Angola", graças à ajuda ao MPLA, o antigo inimigo da escola leninista. Denunciamos esta estratégia diabólica de instrumentalizar as forças políticas angolanas para pôr os interesses americanos a cima de todos em vez de defender os seus filhos que morrem à fome diariamente, apesar de Angola ser um país rico em petróleo, diamante, peixe...
Continuaremos a condenar firmemente toda a política criminosa que visa a aniquilamento, assassino e a matança dos angolanos, de qualquer convicção que seja, como a destruição total de ambiente com a continuação da guerra.
O povo angolano hoje em dia vive a baixo do nível da pobreza, por dia morrem 480 crianças por falta da assistência social, alimentada por má governação, mas Angola é conhecido como actual maior produtor do petróleo, sendo os EUA o maior parceiro na compra de petróleo proveniente de Angola.
De 1 de Fevereiro até ao dia 26 de Fevereiro de 2002, data do previsto encontro com Eduardo Santos, morreram em Angola 12.480 crianças inocentes e indefesas. Perderam as suas vidas por falta total de responsabilidade do vosso querido e honrado parceiro dos negócios do petróleo e dos diamantes.
Se compararmos o número das crianças mortas e as cinco mil vítimas também inocentes do dia 11 de Setembro de 2001, não é honra receber Eduardo dos Santos... pelo respeito às crianças angolanas mortas. A honra que espera dedicar no seu parceiro angolano significa aceitar a sua política criminosa.
Segundo as últimas análises, a corrupção e particularmente a máfia tomou o poder em Angola, alegando o MPLA que o dinheiro é apenas para comprar armas para apoiar a guerra. Mencionamos aqui alguns chefe mafiosos nas redes do MPLA e do José Eduardo dos Santos, Pierre Falcone e Arcadi Gaydamak ambos estão indiciados no caso da venda ilegal das armas, e são os maiores accionistas no sector diamantífero e petrolífero e actualmente são os principais investidores no sector da comunicação de telemóvel em Angola.
Contraditoriamente, em Luanda há uma elite que faz parte do poder e que apresenta uma forte presença de riquezas gozando com tudo e com todos. Criaram clínicas e escolas privadas que só aceitam dólares. Como é que um presidente que ganha 1500 dólares americanos é capaz ter uma "Fundação Eduardo dos Santos" com este salário? Até agora Eduardo dos Santos nunca explicou onde adquiriu dinheiro para financiar a sua fundação. Tudo indica que anda a desviar os fundos que não são declarados no orçamento geral do estado.
Os angolanos quando reivindicam aumento dos seus salários são acusados de não serem patriotas e considerados pela segurança do estado como perigosos.
O governo, para além de perseguir os soldados do Savimbi, força a população do campo abandonar as sua áreas de origem, praticando sistematicamente a deslocação forçada dos civis - com consequências dramáticas - e considerada como crime da guerra pelas ONG e criticada pelo representante em Angola da OCHA na última Sessão do UNSC, no dia 13 de Fevereiro de 2002 em Nova Iorque.
Esta atitude do governo é interpretado como o último recurso da sua estratégia militar e das eleições que pretende realizar apesar de não terem ainda uma data marcada. O Estado Angolano teoricamente reconhece a sua ilegitimidade porque ultrapassou os anos previstos da sua governação segundo as leis democráticas, apesar do mesmo processo não ter chegado até ao fim porque o MPLA recomeçou com a sua guerra em Luanda distribuindo armas aos seus simpatizantes e fanáticos de Luanda.
O balanço da situação dramática da política social e militar em Angola, motivou a sociedade civil angolana e igrejas para se levantarem contra a cultura da violência e obrigar todos os beligerantes a negociarem para se pôr termo à corrida de sangue que tem sido verificada quase em todos os cantos do território nacional. A sociedade civil e igrejas realizaram várias conferências e fizeram vários apelos para que o conflito fosse ou seja ultrapassada pela via de dialogo e não na perseguição militar e destruição do país.
Nos últimos tempos parece que os beligerantes concordarem com as iniciativas da sociedade civil e igrejas que motivou Jonas Savimbi a dirigir uma carta à Igreja Católica encorajando a mesma iniciativa, a segunda enviou-a ao primeiro secretário da ONU mostrando o seu interesse na pacificação do país. O próprio José Eduardo dos Santos deu a luz verde à ONU no sentido de obter contactos directos com a direcção do Savimbi para que se procure caminhos propícios para sair do impasse militar (reconhecido pelas t partes) e regressarem à mesa das negociações, respeitando o contexto do Protocolo de Lusaca assinada em 1994.
Até à presente data não ouve se quer uma reacção que possa acalmar os ânimo dos militares nas frentes de combate de ambos os lados. Segundo as investigações feitas nas últimas três semanas, a ONU quer na sua política oportunista mediar o conflito entre os dois beligerantes, mas excluir a sociedade civil que os funcionários de Koffi Annan e alguns representantes do Conselho da Segurança desta organização dita internacional qualifica "loose Cannons" ou "forças incontroladas", pois são difíceis de manipular num processo de paz a favor dos super-potentes e seus interesses em Angola, entre outros EUA e Rússia.
Estas intenções e tentativas de excluir a sociedade civil angolana e igrejas, já constam da actual agenda escondida da ONU. Todo processo que poderá excluir a sociedade civil emergente é neste momento muito importante para uma resolução política do conflito angolano e afinal para a reconciliação do povo angolano tão divido pelas ideologias importadas. Um processo que exclua a maioria dos angolanos está condenado a uma derrota. A história dos acordos do passado confirmam a nossa tese. O clamor da sociedade civil angolana foi e ainda está sendo interpretada pelo partido no poder em Angola como uma terceira força política que pode colocar os interesses do MPLA, da ONU e da Comunidade Internacional em causa.
O governo cultivou a cultura de corrupção generalizada, da intolerância, ódio, discriminação e repressão das opiniões diferentes, e pratica o terrorismo verbal contra os defensores da liberdade e dos direitos humanos como é o simples direito à vida em Angola.
Neste entretanto, surge a morte de Jonas Savimbi. Compreendemos que José Eduardo dos Santos realizou as suas intenções de eliminar o dr. Savimbi, quanto dizia o contrário aos seus parceiros no exterior.
É com indignação que recordamos as declarações do embaixador norte-americano em Angola, Chritopher Dell, quando disse que, "o governo tem direito de continuar a guerra e terminá-la o mais rápido possível seja de que maneira for".
Pensamos sempre que a paz deve ser alcançada pela via de diálogo e não pela via militar e não pela destruição das vidas humanas. A Iniciativa Angolana Antimilitarista para os Direitos Humanos (I.A.A.D.H) condena a morte de Jonas Malheiro Savimbi e denuncia o plano maquiavélico orquestrado pelo MPLA para demonizar a liderança da UNITA, seus simpatizantes e apoiantes, no sentido de instrumentalizar a ONU e outras instituições internacionais para apoiar a sua estratégia de guerra ou da continuação da guerra em Angola. Ao mesmo tempo mobilizamos a consciência de todos os membros superiores e simpatizantes da UNITA para uma paz justa e negociada, não se deixando conduzir pelo sentimento da vingança neste momento doloroso. É preciso demonstrar maturidade política e apoiar uma resolução não armada.»

24.Fev.2002
 
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