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 EDITORIAL...

Para um país de tanga, uma tanga de Governo

O Orçamento Rectificativo aprovado pelo Governo PSD/PP foi, como era de esperar entre políticos que só valorizam as ideias dos amigos, criticado pela Esquerda «inteligente» dos senhores Ferro Rodrigues, Carlos Carvalhas e Francisco Louçã.

O PS pôs o país de tanga mas, agora, entende que as medidas tomadas vão criar dificuldades acrescidas aos portugueses. E entende bem, apesar de querer dar a ideia que não tem nada a ver com o assunto. Sempre é melhor a tanga do que nada, dirão os socialistas com aquela lata que se lhes reconhece mas que, infelizmente, é apanágio de (quase) todos políticos portugueses.

Mais uma vez a factura da má governação vai ser paga por quem não tem responsabilidade alguma no assunto: a maioria dos portugueses.
Mudam-se os votos, mudam-se os governantes mas, afinal, são sempre os mesmos a pagar a conta.

Ao contrário do prometido, PSD e PP aumentam a taxa do IVA de 17% para 19%. É uma medida necessária para equilibrar as contas públicas, dizem os cérebros deste Governo.

Quem paga?

O Zé povinho, está bom de ver.

Curioso é ver a forma como os políticos, neste caso os da Oposição, sacodem a água do capote, como se nada tivessem a ver com a tanga em que estamos. Ferro Rodrigues, considerou que o aumento do IVA , "uma medida inaceitável", poderá "aumentar a inflação e prejudicar o emprego".

É verdade. E quem contribuiu para que este Governo tivesse de tomar esta medida, se bem que a equipa de Durão Barroso tenha optado pela solução mais imediatista e mais fácil?

E que outra coisa seria de esperar? O Zé povinho já votou...

Enquanto esteve na oposição, o CDS/PP sempre criticou o aumento do IVA, um imposto que considerou "socialmente injusto" e opôs- se á tentativa do anterior Governo socialista de rever a concessão de crédito bonificado. Pois é...

Com um país assim, onde são (quase) sempre os mesmos a ter acesso ao poder; onde são sempre os mesmos a pagar a factura; onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres; onde a banca soma e segue com lucros fabulosos; onde os ilustres profissionais liberais ganham tão pouco que mal conseguem sustentar a casa de campo, a casa de praia, os grandes carros etc.; onde sobra o dinheiro para as organizações (empresas, fundações, associações, confederações etc.) que empregam os ex-políticos... andar de tanga parece ser a sina dos portugueses.

Será que cada povo tem o Governo que merece?

07.05.02


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