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Droga toma conta dos nossos jovens A maioria dos jovens estudantes de Mirandela, com idades entre 13 e 15 anos, já teve pelo menos uma experiência com drogas, refere um estudo agora divulgado. As chamadas "drogas lícitas", nomeadamente o álcool e o tabaco, aparecem à frente das experiências admitidas pelos adolescentes, seguidas de "drogas ilícitas", com maior incidência de haxixe e cannabis, mas também de ecstasy, heroína, cocaína e outras substâncias. As conclusões são de um inquérito feito junto de mais de metade dos 1.100 estudantes que frequentam o ensino secundário, e que teve como finalidade fazer um diagnóstico do problema da toxicodependência no segundo concelho com mais população do distrito de Bragança. O diagnóstico da situação constitui o primeiro passo para um "Plano Municipal de Prevenção" que vai ser desenvolvido durante um ano de forma articulada entre entidades locais e o organismo coordenador desta área a nível nacional, o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IPDT). O plano de Mirandela insere-se nos 60 projectos-piloto que estão em curso em outros tantos concelhos do país e que visam envolver as entidades na definição das acções de prevenção mais adequadas a cada realidade regional, segundo o delegado do IPDT, Delfim Gomes. O instituto coordena a rede nacional, enquanto a nível local são definidas as acções e parcerias e executado o plano traçado. A Câmara Municipal de Mirandela entregou à Santa Casa da Misericórdia a coordenação do plano municipal, por esta instituição dispor dos meios necessários, nomeadamente pessoal especializado, como psicólogos e sociólogos, segundo o autarca José Silvano. "Nós tínhamos conhecimento de focos de toxicodependência fortes na cidade de Mirandela e em algumas freguesias do concelho, e era de tal maneira notório que, quando o IPDT nos fez esta proposta, aderimos logo", disse o autarca. O diagnóstico foi feito nos 10 maiores núcleos populacionais do concelho, cada um com pelo menos entre um a dois toxicodependentes, verificando-se a maior incidência na cidade de Mirandela, segundo a psicóloga Isabel Silvestre, uma das técnicas responsáveis pelo estudo. Apenas 12 por cento dos inquiridos reconheceu ter experimentado drogas mas, na opinião dos técnicos, esta realidade é mais abrangente entre os jovens e acontece entre os 13 e os 15 anos. O universo do estudo era constituído por um número equilibrado de rapazes e raparigas, mas são os primeiros quem lidera nos contactos com as diversas substâncias, de acordo com a socióloga Sandra Pimparel. Os inquiridos pertencem a estratos sociais baixos, com mais de metade dos progenitores a exercerem a profissão de domésticas ou trabalhadores não qualificados. A falta de alternativas para ocupação dos tempos livres é uma das lacunas apontadas pelos jovens, que indicaram a "necessidade de conversar" como um dos seus anseios. A formação e sensibilização constituem a próxima etapa do plano municipal de prevenção, que tem programadas acções para cerca de uma centena de pais, jovens e agentes educativos, nomeadamente professores, autarcas, paróquias e freguesias. Nestas acções vão ser abordados temas como a auto-estima e como resistir à pressão de grupo, já que "os amigos" surgem no estudo como a principal influência para o consumo de estupefacientes. Um estudo idêntico vai ser desenvolvido junto dos estudantes do ensino superior de todo o distrito de Bragança para conhecer a realidade desta faixa etária, revelou o delegado do IPDT. 23.Abr.02 |
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