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Emigrantes continuam a ser enganados Se os nomes tiverem algum valor especial para os portugueses, nomeadamente para os que (sobre)vivem no estrangeiro, então este Governo deu uma prova de querer alterar o (mau) estado das coisas. Agora temos um ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas. Será suficiente? É claro que não. Para começar, parece ser mais a parra do que a uva. Mais o acessório do que o essencial. Martins da Cruz, o novo ministro, explicou que a alteração do nome do Ministério significa a importância que o Governo dá aos portugueses emigrados e aos seus descendentes. Convenhamos que é um bom princípio filosófico. Mas não é de filosofias, ou de nomes, que vivem esses mais de 30 por cento da população portuguesa que estão fora destas ocidentais praias lusitanas. E quando o ministro cita John Kennedy para defender que "é a altura, não de perguntar aquilo que o país pode fazer por nós, mas aquilo que todos podemos fazer pelo nosso país", cheira-me que os portugueses da diáspora vão ter também (e mais uma vez) de pagar a conta. Aliás, o programa do Governo é muito parco (são três parágrafos) quanto ao que pensa fazer com os perto de quatro milhões e meio de portugueses que escolheram (a maior parte deles voluntariamente... obrigados) outros países para viver. Falar (e falar bem é coisa que sobra neste, como nos outros, governos) de apoiar uma maior integração nos países de acolhimento, de reforçar os elos de ligação com o país de origem, de reformular a rede consular e de incentivar o ensino do português parece-me uma daquelas fórmulas inócuas que, como por cá se diz, apenas servem para tapar o sol com uma peneira. Além disso não reflectem nada de novo e, convenhamos, serve a gregos e troianos. Ou seja, a ninguém em concreto. E os portugueses que lutam no estrangeiro são algo de concreto, com alma e coração. É claro (para mim - entenda-se) que este Governo (tal como os outros) está-se nas tintas para os emigrantes. Porquê? Porque, apesar de serem os tais quatro milhões e meio... apenas estavam recenseados para as últimas eleições cerca de 183 mil, menos cinco mil do que em 1999. Tivessem todos esses quatro milhões capacidade de voto e, claro está, as coisas piavam mais fino, muito mais fino. Acresce, até porque importa estimular a verdade, que o PSD enganou os emigrantes. Prometeu-lhes pão e vinho sobre a mesa e, afinal, nem mesa (muito menos o pão e o vinho) lhes vai dar. É, ou não, verdade que entre as muitas promessas dos PSD constava a criação de um ministro de Estado adjunto para as Comunidades? E onde está ele? Não está. Mais uma vez os emigrantes foram enganados. Não admira. Enganados andamos todos nós portugueses, emigrantes ou não. E se o ministro não é parco em prometer, o secretário de Estado não lhe fica atrás. José Cesário promete que o Governo fará todos os esforços para manter "uma ligação estreita e o mais atenta possível" com os portugueses que vivem momentos de maior preocupação. Sublinhando que o Governo confere importância ao sector das comunidades, José Cesário disse que há um programa de acção que tem os eixos principais na promoção da língua e cultura portuguesas, na protecção dos direitos dos cidadãos portugueses, no apoio diplomático e consular e na aposta nos luso-descendentes. Os emigrantes esperam para ver. Sempre foi essa a sua sina: esperar, esperar. E tanto hão-de esperar que, um dia destes, dirão: Chega! 07.05.02 |
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